quarta-feira, 10 de julho de 2013

1.ª Lisbon EcoMarathon

Aí vão 5!


Podem não ser muitas, mas todas foram especiais. Ou não fosse sempre especial terminar uma maratona! Quem já o fez saberá certamente do que falo, mas quem nunca teve esse privilégio, despache-se, pois não faz a mínima ideia do que está a perder.

Correr uma maratona no dia mais quente do ano, não é propriamente aconselhável, mas correr a primeira Lisbon Eco Marathon, no dia e noite mais quente do ano é verdadeiramente insano. O pior disto tudo é que não fui o único. Apesar da organização ter atrasado a prova 30min, ao tiro de partida (19H30) estavam perto de 35º no parque do calhau em Monsanto. Mal se ouviu o tiro, desculpem o apito de partida, todos sentimos que já estava a valer pena. Ouviram-se gritos de alegria, palavras de incentivo, de boa sorte até alguns estrangeirismos a roçar o praguejar.



Tínhamos começado a mais louca maratona de Lisboa. Perto de duas centenas de pioneiros tinham aceite o desafio e marcado presença. A partir dali, a história só podia ter um fim, a chegada ao Marquês de Pombal, fosse a que horas fosse. Apesar do calor abrasador, os primeiros Km´s não foram maus, recheados de sobe e desce, como é normal em Monsanto, mas com muito alcatrão, o que destoava o conceito de esta ser uma maratona trail. Dos 10 aos 20Km, a coisa complicou. Apesar de ser ainda de dia, tivemos algumas dificuldades nas marcações dos percurso, mas nada que o espírito de aventura não levasse como mais um desafio. Cheguei ao abastecimento dos 20/21, a pensar no que me estaria a meter. Os últimos km´s tinham sido duros e apesar de já passar das 21H30m o calor continuava insuportável. As descidas tinham parecido curtas, demasiado curtas e as subidas longas, demasiado longas e ainda ia a meio do carrocel. Aos 26km´s, novo abastecimento, na minha opinião fulcral para muita gente. Foi aqui que comecei a ter a noção que não era o único que iria passar muitas dificuldades na parte final.
Aos 30Km, existia uma nova passagem neste abastecimento, e apesar de ter estado perto de 10 minutos parado, vi muitos ficarem por ali, já debilitados por uma parte inicial talvez demasiado rápida ou desgastante. Até aos 42km´s, apesar de ter andado bastante e ter mantido um ritmo bastante baixo, fiquei literalmente surpreendido pela quantidade de atletas que passei, em dificuldades extremas. Tentei sempre correr o máximo de tempo possível, mas a subida de Campolide para o Parque Eduardo Sétimo, era mais uma romaria de caminheiros que uma corrida a pé. Ao chegar, ao cimo do Parque, gentilmente um dos agentes da PSP, manda parar o trânsito e em voz bem alta grita para o condutor, “Respeite os atletas!”. Sorri, e agradeci também com um grande obrigado. A descida pelo meio do parque foi Espectacular, já passava da Meia Noite, e as pessoas que ali estavam aplaudiam e gritavam palavras de força, os atletas que já tinham terminado a sua prova transmitiam também eles as suas palavras de incentivo e respeito. Limitei a dizer, obrigado tantas vezes quanto possível, mas aquele ambiente tocou-me. Cortei a meta com 4H41m, e mesmo depois de muito ter sofrido, adorei cada passada, cada momento. Principalmente, quando terminei a prova e um dos elementos da fantástica organização chega perto de mim, me coloca a medalha de participação ao pescoço e deixa as seguintes palavras:



“Parabéns! Vocês são todos uns campeões.”

Por estes e muitos outros gestos, de amizade e companheirismo, de toda a organização incluindo voluntários, agentes da PSP, equipas de socorro, etc… para o ano lá estarei novamente!

Classificação:
Geral 32
Class. Esc. 14
Nome CurtoFilipe Fidalgo
Dorsal 228
Equipa C.A. Amigos Parque da Paz
ProvaLisbon Eco Marathon - 6 Julho 2013 (19h00)
EscalãoSEN
Sexo Masculino
Tempo Oficial04:41:57
Tempo Chip04:41:51
Tempo 21Km02:00:52
Tempo 30Km03:08:25

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

23.ª Meia Maratona de Lisboa


Pela 4.ª vez estive na meia maratona da ponte. Esta prova amada por muitos e odiada por outros tantos, não é uma prova qualquer. Por mais que digam mal, mais que se esforcem para arranjar defeitos, erros, dificuldades, ninguém pode negar que esta organização do Maratona Clube Portugal, é uma máquina bem oleada, e tão bem afinada que quase roça a perfeição. Não é fácil colocar 40.000 pessoas a correr para o mesmo lado. Não é fácil organizar e gerir uma prova com 8126 atletas chegados na meia maratona. E tudo mais difícil se torna, quando se concluí, que na 23.ª edição tudo continua a ser “quase perfeito”.

Tal como toda a gente, não gosto de estar a secar 1hora /1h30 antes da partida de uma prova, mas gosto de chegar ao fim e passar aquele pórtico com ideia do dever cumprido. Não gosto de pagar um valor tão avultado para correr, mas gosto de correr com todas as condições que esta prova nos dá. No fim o resultado acaba sempre por ser positivo, e corra a prova bem ou mal, no ano seguinte só lá não estou se não puder.

Este ano tenho feito menos provas, os treinos também não têm propriamente abundado, o último treino acima de 10km´s já tinha sido há 3 semanas. Mas como falta de treinos é uma coisa normal no meu “elaborado” plano de treinos, marquei o objectivo entre a 1h30m/1h35m como tempo de chegada. Antes da partida tudo parecia perfeito, os ténis que a esposa comprou, os filhotes a desejar boa sorte, e as pernas a querem correr, só faltava mesmo começar a correr.

Aquela hora antes da prova é sempre ocupada com o rever dos companheiros e meia dúzia de passos para aquecer. Acaba sempre por passar rápido, e tão rápido que é o 4.º ano que faço a prova e nunca ouvi o tiro de partida, quando damos conta só nos sentimos levados pelo banho de multidão a correr pela ponte fora. Cedo perdi o “primo” Veloso, mas mesmo assim não desanimei por ir sozinho, tinha marcado o objectivo de chegar perto da 1h30m e como tal bastava-me correr atrás do balão. De princípio o resultado não era propriamente animador, o balão da 1H30m já ia no viaduto da saída de Alcântara e eu ainda estava na ponte, mas objectivos são objectivos e desistir sem lutar por eles não está nos meus genes. Acertei um passo um pouco mais rápido e aproveitei a descida para ganhar uns preciosos segundos. Ao chegar ao primeiro retorno, perto do campo das cebolas, o balão estava a 400 metros (medido a olho), acreditei que era possível chegar lá e voltei a forçar mais um pouco. Cais do Sodré, Santos e o balão já ia ali a 100 metros, pensei que se o apanhasse até Belém podia aspirar a algo mais. Mas a partir de Santos, o vento começou a fazer mossa, aqueles 150 metros que me separavam do marcador, eram preenchidos por meia dúzia de atletas que iam “caindo”, sem conseguir acompanhar o ritmo imposto pelo pacer. A partir de Alcântara, tomei a decisão de não continuar com aquela luta que parecia inglória. Baixei o ritmo e limitei-me a gerir a passada para não me desgastar mais. Algés e o último retorno, mudava as regras, agora o vento que tanta luta deu, empurrava-nos para a meta. Voltei a forçar o andamento, começando a passar alguns atletas já em dificuldade, depois da ventosa luta travada nos km´s anteriores. Cortei a meta com 1h31:39 (tempo de chip). Objectivo atingido, sem grande desgaste e com um sorriso nos lábios. Dever cumprido. Depois foi ligar para casa dar as noticias de mais uma prova concluída e esperar pelo resto do Clã Fidalgo para a foto da praxe.

A organização este ano bem que se tramou porque só o clã Fidalgo levou 4 medalhas para casa.

domingo, 3 de março de 2013

Num ritmo diferente...


Por vezes parecemos distantes. Não porque queríamos parecer distantes, mas apenas distantes porque algo nos fez parar para pensar, ou simplesmente abrandar o ritmo alucinante que as nossas vidas levam.

Escrevi aqui no meu blogue há cerca de 4 meses, parece distante, mas não. Abrandei apenas um pouco para fazer uma análise, calma e ponderada. Não quis parecer distante, nem saudosista, nem nunca pensei sequer em parar, apenas abrandei.

Passaram 4 meses, com muitas histórias que ficaram por contar, mas certamente não ficaram por viver. Corri mais uma maratona (Maratona de Lisboa 2012), a minha 4º e nem uma linha escrevi, faltaram palavras para descrever os sentimentos e emoções vividas. O rascunho nunca deixou de ser rascunho e as palavras acabaram enroladas numa bola de papel. Guardei-as apenas para mim. O ano virou e por momentos voltei a ser pirata (treino Pirata dos CAAPP). Desta vez sem uma crónica de odisseias mirabolásticas e força de superação. Apenas fui, corri e nada contei. Voltou o rascunho, voltaram as bolas de papel, cheias linhas e palavras por partilhar. Mas mesmo sem partilhar o momento, vivi o mesmo com a mesma intensidade de sempre. No último mês veio o Arinto (1ºTrail de Bucelas), e senti que algo mudou, saí da estrada e mudei. Silenciosamente mudei o rumo da corrida que tanto gosto. Calma e pausadamente, cortei cada linha do plano de provas para 2013 que não encaixava no meu “novo” conceito de corrida, num novo eu corredor. Risquei cada linha lado a lado com a minha companheira de aventuras, de desafios. A mesma pessoa que sempre amou cada momento da minha corrida da mesma maneira com me ama a mim. Sem Ela, a mulher dos meus filhos, a mulher da minha vida, a corrida não me teria mudado da mesma maneira, pois tal como quando tudo começou, comprou-me uns novos e fieis ténis de corrida e numa voz doce, disse apenas para correr nos trilhos com a mesma paixão que corro na estrada. Assim tudo mudou sem nada ter mudado, apenas renasceram os objectivos e cresceram novos desafios. E como a vida de corredor é mesmo feita de desafios, juntei-me ao pessoal que tal como eu faz da corrida um walk in the Park, tornando-me membro dos CAAPP (Clube de Atletismo Amigos do Parque Paz). E como tudo parece mudar sem nada ter mudado, procurei todas as folhas de papel, juntando todas as palavras que pareciam perdidas, criando novamente as frases de aventuras e feitos de um Homem comum no louco mundo das corridas.

No fim sei que não parei, não abrandei... simplesmente corri num ritmo diferente!