quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Depois da Lampas? Avante, camarada! Avante!

 

Chega a altura em que começa tudo de novo, de volta às provas e aos treinos, mas acima de tudo às provas sem treinos. Sei que soa um pouco a contra-senso, mas a minha rotina é feita em torno de um extenuante plano sem treinos e desde que um dia ouvi dizer que a descansar também se treina, passei a trocar a teoria pela prática aplicada de tal sabedoria.

Mas após este longo e duro fim-de-semana com jornada dupla, tenho de admitir que o corpo dorido começa a pedir uns treininhos suaves de vez em quando, ou corro o risco de em final de Outubro, estar aqui a lamentar mais um grande sova nas ruas do Porto. Podem dizer que é loucura, insanidade ou simplesmente ousadia, mas para min correr em São João das Lampas sem treinar começa a parecer tradição. Adoro correr aquela prova, simplesmente porque não sei explicar o que tanto me atrai. Há 3 anos convidaram-me e não fui capaz de resistir ao encanto, e como quem recebe também deve dar, tenho levado sempre mais um estreante. Que curiosamente, tal como eu saem das maravilhosas rampas, doridos, massacrados mas acima de tudo felizes, encantados e totalmente decididos a voltar no ano seguinte. Sei que não sou o único a pensar assim, mas a MMSJL e as suas rampas, são um pouco como o cabo bojador de todas as meias maratonas, pois quem passa esta, faz de todas as outras um verdadeiro “walk in the park”. Não quero tirar valor a outras provas, nem ao esforço de todos aqueles que escolhem muitas das outras meias, mas esta…. Esta é simplesmente, aquela prova! Simplesmente, porque é genuína e autêntica, não como a Super Bock, mas como as suas gentes. Como as coisas simples que ninguém repara, mas que estão lá. Como os pequenos gestos que por vezes não vemos, mas que nos marcam. Com tanta simplicidade é simples voltar no ano seguinte para ficarmos novamente encantados.

Meia folha e ainda não falei de como o empeno correu este ano.
 
Bem vistas as coisas até correu bem, 1h41m31s. Levava o objectivo de baixar da 1h40m, que como já deu para ver não foi alcançado, mas valeu a pena por ter tirado 2min ao tempo do ano passado e por o corpo ter reagido bem, ao esforço dos primeiros 13km abaixo da hora. Sem grandes sobressaltos, acabei por ficar satisfeito e sem grande empeno, pois 13h depois já estava na partida da corrida do Avante. Até deu para conhecer o Pedro Carvalho do http://correrevicio.blogspot.pt/. Mais um companheiro da blogosfera a caminhar para maratonista já próxima maratona de Lisboa.

No Domingo a história já era outra, as pernas estavam doridas da véspera, mas o objectivo era mesmo rolar mais uns km´s. Se eu achava que era loucura correr duas provas no mesmo fim-de-semana fiquei totalmente esclarecido que não fui um louco solitário tal era a quantidade de figuras e caras repetidas no tiro de partida, em relação ao dia anterior. Acabei com 52min. Os 11,350 metros, sem pressas e com vontade de ainda fazer um ligeiro jogging até casa, para desenjoar. Acabou por ser um fim-de-semana duro, mas acima de tudo bastante produtivo, não pelos tempos, mas pelos km´s adquiridos e por adicionar mais um companheiro á já larga amizade bloguista.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

IV Corrida do Direito Rugby Europcar


Voltei a Monsanto para uma estreia. Já tinha estado várias vezes no meu plano fazer a corrida dos Lobos – Corrida do Direito Rugby Europcar, mas pelas mais variadas razões isso nunca tinha acontecido. Mais uma vez eu e o Luis Carapeto lá fomos para mais uma prova, desta vez com um difícil e sinuoso percurso, conforme a informação em letras pequeninas.

Passaram 2 semanas depois da aventura nas areias da Costa e apesar de ter contrariado em muito o meu plano de treinos( 3 treinos em 2 semanas, o normal é serem 2 ou nenhum) achei que seria um boa prova para voltar a correr em Monsanto. A manhã acordou chuvosa, o que de algum modo obrigava a família a ficar em casa, o único louco do clã que corre á chuva sou eu. O Luis não conhecia o trajecto, verdade seja dita eu também não, mas o Google maps deu uma verdadeira ajuda, e por isso a viagem foi um pequeno briefing de como seria a prova. Á chegada ficámos com várias certezas, a primeira é que iriamos apanhar uma molha, a segunda que havia mais atletas do que imaginávamos e a terceira é que a prova era um misto de subidas, subidas e mais subidas. Dorsal posto, chip no ténis, atacadores bem atados e lá vem chuva, ainda nem tinha soado o tiro de partida e já estava ensopado

A chuva carregava sobre os loucos corredores de domingo quando o tiro de partida ecoou na Estrada do Outeiro. As lebres fugiram, não sei se assustadas com o tiro se simplesmente extasiadas em busca de liberdade pelos serpenteados caminhos de Monsanto. A verdade é que as lebres corriam em fuga, perseguidas pelas imensas camisolas coloridas e saltitantes, que ziguezagueando marchavam alongadas tentando enganar a chuva. Monsanto era agora o carrocel de todos aqueles graúdos, embalados numa melodia silenciosa de um sobe e desce doentio carregado de curvas e contra curvas regadas pelo granizo e pela chuva que caía. Mas os loucos não desistem e continuam a calcar a estrada como senão houvesse amanhã, esquecendo as poças e fios de água que correm agora rua abaixo empurrando os frágeis ainda mais para trás. Existem alturas em que ninguém vê o carrocel, apenas o Monsanto adamastor que nos obriga a esquecer as dores, as fraquezas e os medos para mais alto chegarmos. .
Era um grupo cheio de sorrisos já perto dos7km

Passas a besta, mas não vês o fim, não vês o outro lado que esperavas encontrar. Não páras, continuas apenas a correr na esperança de lá chegar. A mente revolta-se. Interroga-se se o corpo já pagou o que devia mas é nessa altura, quando o nosso cerne já não vê nem descodifica os sinais ocultos pelo sofrimento, que algo nos surpreende. Monsanto nem sempre nos derruba, por vezes apenas nos testa os limites e depois nos empurra de volta á vida pelas suas veias contorcidas num quase interminável escorrega sem escrúpulos, que nos chicote-a os músculos e sacode a mente, mas no fim nos faz ver que chegámos de volta onde tudo começou. No mesmo local onde sem saber como era já sabíamos que iria valer a pena.




Correr em Monsanto é tudo isto e um pouco mais.
 
Tempo: 41min 14s
Classificação Geral: 28º
Classificação Escalão : 13º

segunda-feira, 7 de maio de 2012

4ºMeia Maratona na Areia

Nesta altura, as saudades ficam porque não pagam imposto, e por isso vamos dando por nós com saudades do sol, do mar, da praia até das chamadas férias de verão. Mas o que estava mesmo a sentir era saudades de uma prova como a meia maratona da areia. Esta quarta edição juntou um pouco de cada uma das saudades.
O ano passado tinha “apadrinhado” o meu amigo Alberto Coutinho e este ano foi o Luís Carapeto a ser “afilhado”. Em Novembro tinha desafiado o Luis para em Março fazer a meia da ponte, a sua primeira meia maratona, chamou-me louco mas chegou ao fim cansado e feliz. Mas quando se atinge uma meta, devemos traçar outra mais audaz. Ficou definido que tal como eu outrora fiz a segunda meia maratona do Luis iria ser na Meia da Areia, acabei por ser chamado de louco, novamente, mas deste ontem que o Luis Carapeto está cansado e feliz. E ainda dizem que o louco sou EU.

A 4ºEdição da Meia da areia, marcou a minha 3º participação na prova, e bem me arrependo de não ser totalista. Contrariamente aos últimos dias, o Domingo amanheceu cheio de Sol, não me perguntem se foi para embelezar a meia da areia, mas que ajudou disso não há dúvida nenhuma.  Partida ás 9H30 com muito sol, muitos participantes e uma enorme auto-estrada criada no areal da Caparica. Bem embalado pelos tempos nas últimas provas, mas principalmente pela 1h00m30s na corrida do 1ºMaio (15KM), estava de algum modo motivado para fazer uma prova um pouco melhor que nos últimos 2 anos.  Após a partida, o pelotão cedo se alongou, com os rápidos a fugirem pelo areal fora e os mais lentos a preencherem aquela imensidão de areia, molhada pela fuga do mar na maré baixa. Sem ser minha vontade dei por mim sozinho entre dois grupos, o que me foi entretendo o pensamento por alguns km´s. Ou tentava acelerar apanhava o grupo da frente e desgastava-me ou diminuía um pouco o ritmo e corria o risco de depois não conseguir reagir para seguir no encalço do grupo. Como não me decidi, fui correndo sozinho, pelo extenso areal a ver o que podia acontecer. Aos 4km por detrás de uma máquina, um turista chama por mim, sorri um pouco e aguardei que depois do boneco  lá aparecesse a figura que neste momento não descortinava. Mais uns segundos e o “primo” Veloso, lá apareceu por detrás da máquina para com um sorriso e um “High Five” saudar a minha passagem.
Foto por: Vitor Veloso
Até aos 7km fui andando sozinho, até que a malta do grupo que vinha atrás de mim lá se chateou, e passaram por mim numa tentativa de passo acelerado. Reagi e consegui ficar com mais 3 atletas. Nesta altura a companhia soube bem, mas como é lógico ajudou a aumentar o ritmo que até ali já eu pensava ser um pouco mais rápido do que estava á espera. Até ao último abastecimento antes do retorno, nada mudou, mas esse abastecimento ditou o que viriam a ser as regras do jogo dali para a frente. Tomei o gel, e ao passar estiquei o braço para apanhar a água, mas o pessoal, penso que influenciado pelo meu amigo Mário Lima que me cumprimentava, levantaram todos os braços, gritaram força e água, népias…..  
Na altura bem me ri, mas os 2km seguintes foram um pouco ou nada difíceis de engolir, dado que o maldito gel, não passava da goela para baixo. Com a boca seca, o gel na garganta e o sol a aquecer, nem imaginam a sede que levava.  Perdi o contacto com o meu grupo, mas fui andando sempre a uma distância controlada, sem ganhar terreno mas acima de tudo sem os perder daquele raio de 20\30 metros. Perto dos 15km fui fazendo algumas contas, dado que ia novamente sozinho ia-me entretendo a fazer cálculos para estimar o tempo provável de chegada. Cheguei por momentos a pensar que devia ser do sol e pelos muitos km de falta de água, mas as contas teimavam a dar perto da 1h35m, cerca de 10min menos que o ano anterior. Afastei da cabeça aquela ideia que parecia louca e foquei-me em voltar a saudar o “primo” Veloso para ficar bem na fotografia de quem vem de volta. Continuava num bom ritmo e perto dos 18km, nova actualização nos cálculos, e o tempo previsto continuava na mesma tendência. Lembro-me de ter pensado que era melhor correr um pouco mais depressa porque ali não havia sombras e de certeza que o sol me estava a fazer mal, mas quanto mais pensava na chegada, mais me ocorria as duas últimas chegadas á Costa da Caparica de mão dada com o meu filhote Tiago, mas desta vez isso não era possível, o puto tinha ficado em casa. Deambulando pelo areal fui comendo km´s, até sair do areal mais molhado para os últimos 100 metros de areia solta. Estes 100 metros quando vimos desgastados parecem km´s de penúria, mas desta vez não, tudo parecia fácil e ainda mais fácil ficou quando vejo o meu filhote a correr novamente direito a mim. Abri e fechei os olhos rapidamente, mas desta vez não era do Sol, o puto maravilha estava mesmo ali. De mãos dadas cortamos pela 3ºvez a meta na Meia maratona da Areia e desta vez abaixo da 1h35m ( dados do meu garmin, mas aguardo as classificações para dar veracidade à história). Faltava apenas o beijo na minha maravilhosa mulher e mãe dos meus filhos, para lhe retribuir a felicidade de no dia da mãe fazer de mim um Pai ainda mais feliz.
Não posso deixar de elogiar a magnifica organização da associação o Mundo da corrida, que fez tudo o que estava ao seu alcance para tornar a Meia Maratona na Areia um evento fantástico para todos os atletas. Um obrigado a todos pela excelente prova que nos proporcionaram.