Nesta altura, as saudades ficam porque não pagam imposto, e
por isso vamos dando por nós com saudades do sol, do mar, da praia até das chamadas
férias de verão. Mas o que estava mesmo a sentir era saudades de uma prova como
a meia maratona da areia. Esta quarta edição juntou um pouco de cada uma das
saudades.
O ano passado tinha “apadrinhado” o meu amigo Alberto
Coutinho e este ano foi o Luís Carapeto a ser “afilhado”. Em Novembro tinha
desafiado o Luis para em Março fazer a meia da ponte, a sua primeira meia
maratona, chamou-me louco mas chegou ao fim cansado e feliz. Mas quando se
atinge uma meta, devemos traçar outra mais audaz. Ficou definido que tal como
eu outrora fiz a segunda meia maratona do Luis iria ser na Meia da Areia,
acabei por ser chamado de louco, novamente, mas deste ontem que o Luis Carapeto
está cansado e feliz. E ainda dizem que o louco sou EU.
A 4ºEdição da Meia da areia, marcou a minha 3º participação na prova, e bem me arrependo de não ser totalista. Contrariamente aos últimos dias, o Domingo amanheceu cheio de Sol, não me perguntem se foi para embelezar a meia da areia, mas que ajudou disso não há dúvida nenhuma. Partida ás 9H30 com muito sol, muitos participantes e uma enorme auto-estrada criada no areal da Caparica. Bem embalado pelos tempos nas últimas provas, mas principalmente pela 1h00m30s na corrida do 1ºMaio (15KM), estava de algum modo motivado para fazer uma prova um pouco melhor que nos últimos 2 anos. Após a partida, o pelotão cedo se alongou, com os rápidos a fugirem pelo areal fora e os mais lentos a preencherem aquela imensidão de areia, molhada pela fuga do mar na maré baixa. Sem ser minha vontade dei por mim sozinho entre dois grupos, o que me foi entretendo o pensamento por alguns km´s. Ou tentava acelerar apanhava o grupo da frente e desgastava-me ou diminuía um pouco o ritmo e corria o risco de depois não conseguir reagir para seguir no encalço do grupo. Como não me decidi, fui correndo sozinho, pelo extenso areal a ver o que podia acontecer. Aos 4km por detrás de uma máquina, um turista chama por mim, sorri um pouco e aguardei que depois do boneco lá aparecesse a figura que neste momento não descortinava. Mais uns segundos e o “primo” Veloso, lá apareceu por detrás da máquina para com um sorriso e um “High Five” saudar a minha passagem.
A 4ºEdição da Meia da areia, marcou a minha 3º participação na prova, e bem me arrependo de não ser totalista. Contrariamente aos últimos dias, o Domingo amanheceu cheio de Sol, não me perguntem se foi para embelezar a meia da areia, mas que ajudou disso não há dúvida nenhuma. Partida ás 9H30 com muito sol, muitos participantes e uma enorme auto-estrada criada no areal da Caparica. Bem embalado pelos tempos nas últimas provas, mas principalmente pela 1h00m30s na corrida do 1ºMaio (15KM), estava de algum modo motivado para fazer uma prova um pouco melhor que nos últimos 2 anos. Após a partida, o pelotão cedo se alongou, com os rápidos a fugirem pelo areal fora e os mais lentos a preencherem aquela imensidão de areia, molhada pela fuga do mar na maré baixa. Sem ser minha vontade dei por mim sozinho entre dois grupos, o que me foi entretendo o pensamento por alguns km´s. Ou tentava acelerar apanhava o grupo da frente e desgastava-me ou diminuía um pouco o ritmo e corria o risco de depois não conseguir reagir para seguir no encalço do grupo. Como não me decidi, fui correndo sozinho, pelo extenso areal a ver o que podia acontecer. Aos 4km por detrás de uma máquina, um turista chama por mim, sorri um pouco e aguardei que depois do boneco lá aparecesse a figura que neste momento não descortinava. Mais uns segundos e o “primo” Veloso, lá apareceu por detrás da máquina para com um sorriso e um “High Five” saudar a minha passagem.
Foto por: Vitor Veloso
Até aos 7km fui andando sozinho, até que a malta do
grupo que vinha atrás de mim lá se chateou, e passaram por mim numa tentativa
de passo acelerado. Reagi e consegui ficar com mais 3 atletas. Nesta altura a
companhia soube bem, mas como é lógico ajudou a aumentar o ritmo que até ali já
eu pensava ser um pouco mais rápido do que estava á espera. Até ao último
abastecimento antes do retorno, nada mudou, mas esse abastecimento ditou o que viriam
a ser as regras do jogo dali para a frente. Tomei o gel, e ao passar estiquei o
braço para apanhar a água, mas o pessoal, penso que influenciado pelo meu amigo
Mário Lima que me cumprimentava, levantaram todos os braços, gritaram força e
água, népias…..
Na altura bem me ri, mas os 2km seguintes foram um pouco ou
nada difíceis de engolir, dado que o maldito gel, não passava da goela para
baixo. Com a boca seca, o gel na garganta e o sol a aquecer, nem imaginam a
sede que levava. Perdi o contacto com o
meu grupo, mas fui andando sempre a uma distância controlada, sem ganhar
terreno mas acima de tudo sem os perder daquele raio de 20\30 metros. Perto dos
15km fui fazendo algumas contas, dado que ia novamente sozinho ia-me entretendo
a fazer cálculos para estimar o tempo provável de chegada. Cheguei por momentos a
pensar que devia ser do sol e pelos muitos km de falta de água, mas as contas
teimavam a dar perto da 1h35m, cerca de 10min menos que o ano anterior.
Afastei da cabeça aquela ideia que parecia louca
e foquei-me em voltar a saudar o “primo” Veloso para ficar bem na fotografia
de quem vem de volta. Continuava num bom ritmo e perto dos 18km, nova
actualização nos cálculos, e o tempo previsto continuava na mesma tendência.
Lembro-me de ter pensado que era melhor correr um pouco mais depressa porque
ali não havia sombras e de certeza que o sol me estava a fazer mal, mas quanto
mais pensava na chegada, mais me ocorria as duas últimas chegadas á Costa da Caparica de
mão dada com o meu filhote Tiago, mas desta vez isso não era possível, o puto
tinha ficado em casa. Deambulando pelo areal fui comendo km´s, até sair do
areal mais molhado para os últimos 100 metros de areia solta. Estes 100 metros
quando vimos desgastados parecem km´s de penúria, mas desta vez não, tudo
parecia fácil e ainda mais fácil ficou quando vejo o meu filhote a correr novamente
direito a mim. Abri e fechei os olhos rapidamente, mas desta vez não era do Sol,
o puto maravilha estava mesmo ali. De mãos dadas cortamos pela 3ºvez a meta na
Meia maratona da Areia e desta vez abaixo da 1h35m ( dados do meu garmin, mas
aguardo as classificações para dar veracidade à história). Faltava apenas o
beijo na minha maravilhosa mulher e mãe dos meus filhos, para lhe retribuir a
felicidade de no dia da mãe fazer de mim um Pai ainda mais feliz.
Não posso deixar de elogiar a magnifica organização da
associação o Mundo da corrida, que fez tudo o que estava ao seu alcance para
tornar a Meia Maratona na Areia um evento fantástico para todos os atletas. Um
obrigado a todos pela excelente prova que nos proporcionaram.


