terça-feira, 3 de abril de 2012

9ª Corrida de Solidariedade ISCPSI / APAV


Uma semana após a emotiva meia maratona de Lisboa, e mais uma vez sem calçar os ténis em toda a semana para um simples treino, desloquei-me a Alcântara para uma das minhas provas obrigatórias, a 9ºCorrida de Solidariedade ISCPSi/APAV. A minha terceira participação, desta vez com a companhia do meu amigo Luis Carapeto.


Sendo para mim uma prova obrigatória pela mensagem social que tenta transmitir, é também uma prova por norma sem grande ambição de resultados, apesar de ser bastante rápida com um percurso totalmente plano. Motivado pelo resultado da meia de Lisboa, e apoiado nos últimos tempos que tinha feito em provas de 10Km, considerei que mesmo sem treinos podia tentar chegar perto do meu melhor tempo na distância. 40min38s na última corrida do Tejo.
Com um nível de organização de fazer inveja a muitas outras provas, a Corrida da APAV estava naturalmente menos concorrida este ano, muito por culpa da existência da Corrida dos Sinos e dos trilhos de Almourol no mesmo dia. Mesmo assim com perto de 500 Participantes na corrida de 10Km a contar com a presença de alguns elementos de equipas bastante conhecidas do atletismo nacional.
10h30, Tiro de Partida. Parti bastante bem e automaticamente percebi que estava num grupo com um andamento que não era o meu, pois ao 1km passava no grupo dos primeiros 15 com um andamento na casa dos 3min30s\Km. É bastante motivador, mas a partir do primeiro km sente-se uma frustração enorme, pois apesar de ir no meu melhor andamento os outros ainda estavam a aquecer e rapidamente passaram para um ritmo perto dos 3min\km. Olhei para o garmin e decidi baixar um pouco o andamento e controlar até aos 5km, depois…. bem depois logo se via como seria a 2ªparte da prova. Como é normal em todas as provas, a “elite” vai embora e nunca mais os vimos, depois vem a avalanche dos semi-craques, futuros craques e antigos craques que passam por nós com um andamento de fazer inveja e claro que a seguir vem o pelotão onde estamos normalmente inseridos. A avalanche passou por mim ainda antes do abastecimento, mas desta vez estava bastante decidido a dar luta para ficar por ali. Passado o abastecimento nem reparei no tempo que estava a efectuar, limitava-me a tentar manter uma passada rápida para não perder a distância para um grupo que seguia cerca de 20metros mais á frente. A água nesta altura caiu bastante bem, mas o problema foi que para o tal grupo deve ter caído bastante melhor, pois os 20metros rapidamente passaram a 30 e depois a 40metros de distância.
Como o ritmo aumentou o grupo partiu-se um pouco o que me ia motivando, cada um que perdia o contacto com o grupo, era o meu alvo a abater e logo aumentava o ritmo para o apanhar. Depois de apanhar e ultrapassar uns 5 elementos que iam ”caindo”, fiquei lado a lado com uma atleta feminina que ia num ritmo bastante semelhante com o meu. A corrida tem destas coisas, sem palavras fomos naturalmente puxando um pelo outro numa tentativa de acelerar o ritmo, o que cedo começou a dar frutos pois fomos diminuindo a distância para uns atletas que seguiam á nossa frente. Até ao fim foi um remar em conjunto para levar o barco a bom porto. Ao entrarmos nos últimos 150 metros, agradeci naturalmente a companhia e transmiti-lhe umas palavras de força para o sprint final. Foi ao entrar nos últimos 100 metros que finalmente voltei a olhar para o relógio, e fiquei completamente baralhado pois marcava 39min e qualquer coisa. Coloquei os olhos na estrada e apertei também eu para o sprint final. Cortei a meta com 39min 22Seg. Nem queria acreditar pois tinha acabado de bater o melhor tempo em 1min e 16seg. após mais uma semana sem calçar os ténis. Estava de tal modo eufórico e motivado pelo meu desempenho que mesmo com o saco dos “brindes” e o copo da bebida isotónica na mão voltei para trás a correr para acompanhar o Luis carapeto nos seus últimos metros. Só quando cheguei a casa junto dos meus pequenotes e da minha mulher é que comecei a interiorizar melhor aquele registo de 39min e 22Seg que para mim, desculpem a ousadia, é simplesmente fantástico.

segunda-feira, 26 de março de 2012

22ºMeia Maratona Lisboa

Pela 3ºvez consecutiva estive na Meia maratona de Lisboa. Certamente que continuará a ser uma prova em que assiduamente marcarei presença, não só pela megalómana organização, mas principalmente por ter sido nesta prova que (re)iniciei nas lides desportivas.  Desta vez apadrinhei mas um principiante nas meias, o meu amigo Luis Carapeto, lá se estrou nos 21,095km com a marca de 1H48m05s. Se a principal motivação para esta prova era fazer do Carapeto um ½ maratonista, existia um outro objectivo que dia a após dia me ia desafiando silenciosamente.
 Sem agendamentos e combinações lá conseguimos juntar um grupo de amigos prontos para mais uma meia. À partida ficava eu o “primo” Veloso e o Carlos Cerqueira num grupo e o António Massano rebocava o Luis Carapeto durante alguns km´s. Dado o Tiro e lá foi pelotão correu o ex-libris da cidade de Lisboa. Podem dizer mal da organização, da prova, mas bem lá no fundo todos voltam com a mesma ambição, passar a ponte a pé. A vista lá de cima é soberba, mesmo a correr num mar gente, temos vontade de parar um pouco e ver Lisboa. Não existem muitos locais que nos transmitam aquela imagem da nossa capital. Depois de apreciar as vistas lá vinha a descida para alcântara e o primeiro banho de multidão a apoiar os atletas. Todas as vezes que ali passei senti sempre o mesmo carinho, ano após ano, sempre no mesmo sítio, sempre com a mesma alegria daqueles que saúdam os “ loucos” que passaram a ponte a pé. Depois do primeiro abastecimento, o Cerqueira fugiu ficando eu e o Vitor sozinhos. Até aos 15km´s a corrida passou num ritmo certinho e sem problemas de maior, aproveitamos por isso para ir ponto a conversa em dia. Perto da zona da chegada, começava a sentir a falta de treinos, e não fosse ter visto o meu Pai naquela altura certamente não tinha conseguido ir atrás do Victor mais um km. Aos 16Km, fiquei sozinho. O Vitor bem me chamava, mas as pernas já não davam resposta. Estava na altura de começar a fazer contas. Se em 3 semanas tinha feito apenas 43km, isto queria dizer que a partir de dali, tinha de ser a mente a ganhar às limitações do corpo. Baixei o ritmo e tentei ignorar as dores, voltei a fazer contas de cabeça e o objectivo da 1h30m era mesmo à tangente. É nestas alturas que temos de arranjar motivação onde pensamos já não haver nada, e ver no sacrifício apenas um meio para atingir os nossos objectivos. Desliguei-me do resto, e fixei-me no meu desafio silencioso, “baixar 1h30 para dedicar ao meu Pai”, era apenas e só isso que me mantinha vivo e focado na estrada. Por momentos esqueci os treinos que não tinha feito, esqueci as dores nas pernas e corri simplesmente por que tinha vontade de o fazer por mais que me doesse o corpo. A corrida tem-me dado momentos inesquecíveis e á entrada do 21km, ao ver novamente o meu Pai de máquina em punho para mais um retracto, tive a certeza que aquele momento era também ele inesquecível. Respirei fundo, e corri.
O tal retracto!
Ao passar no pórtico de chegada, tinha registado 1h30m03s e no momento de desilusão, percebi que tinha alguns segundos de crédito por ter partido mais atrás. Foi por isso que com alguma impaciência aguardei pela saída dos resultados oficiais, tal como na primeira vez que corri esta prova, ansiava por saber qual tinha sido o meu tempo real para correr aquela distância. E quando finalmente consegui ver o registo, lá estava o tão desejado tempo. 1H29m41s o meu novo PR na distância! E o objectivo concretizado.

Esta foi para ti PAI!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

GP do Atlântico

Mais um fim de semana, mais uma prova.  Desta vez na Costa da Caparica, no Grande Prémio do Atlântico.
Não tenho treinado muito, apenas e só o mínimo indispensável para poder pensar em participar em algumas provas de distâncias mais pequenas. Mas mesmo assim, ambicionava de algum modo aproximar-me da barreira dos 40min, coisa que só por uma vez superei. Com forte apoio do clã cá de casa, e com a companhia do Luis Carapeto, pelo menos para o tiro de partida, as hipóteses não eram más, dado que o fantástico tempo primaveril em Fevereiro dava uma ajuda, contrariamente ao ano passado.
Na zona de partida, uma combinação de última hora. Eu e o companheiro Carlos Cerqueira iriamos juntos para fazer os tais 40min. Partida dada e lá fugimos eu e o Carlos do desamparado Luis Carapeto, ainda sem pernas para loucuras abaixo dos 4min\km. Até aos 4 minutos, foi um passeio fugaz pelas ruas da Costa, serpenteando e ultrapassando todos aqueles que nos iam aparecendo á frente. Mas pouco antes dos 5Km, o Cerqueira, dá um esticão e não fui capaz de seguir no seu encalço. Começava nesta altura a sentir algumas dores no ombro direito, que me incomodavam o suficiente para não me esquecer que estavam lá.  No controlo dos 5km, 20min13seg. apesar das dores a coisa não ia mal. Mas o maldito km 5 foi devastador, subitamente a dor agravou-se de tal modo que fiquei com o braço completamente dormente.  Nesta altura juntava o apreensivo ao dorido e quanto mais tentava manter a passada para me manter no grupo que seguia, mais me sentia debilitado, até que ao km 7, resignei-me. Não valia a pena continuar a exigir aquilo que o corpo não era capaz de dar. Nesta altura chega perto de mim o António Massano, mais um companheiro que bem me ajudou naqueles km até á meta.  As dores no ombro tinham irradiado para as costas, o braço direito continuava dormente, e cada momento de inspiração  mais profunda era agora um tormento. Aos 9.5Km disse ao Massano pela última vez, que não se prende-se por mim, foi nessa altura que o vi arrancar e eu sem reacção, senti-me parado. Arrastei-me para a meta, sempre a correr mas com o sofrimento a marcar cada passada, vi a família e sorri. Sorri para mascarar a dor, mas ao mesmo tempo por ver chegado o fim daqueles dolorosos últimos km´s. O relógio marcava 42m52s, mesmo assim menos 6seg que no ano anterior.
Agora a frio sei que tenho de redefinir o plano de treinos, porque senão algum dia ficarei pelo caminho e não verei a palavra META. Não me parece que seja um cenário agradável, pois muitas vezes sofri, mas nunca desisti.