domingo, 23 de outubro de 2011

Corrida do Tejo 2011

Este fim-de-semana foi o regresso às provas. Depois daquela pequena mazela na meia das Lampas e de mais uns treinos longos na companhia dos atletas do costume (Vítor Veloso e Pedro Ferreira) esta era uma prova que por dois grandes motivos fazia questão em participar. O primeiro é que no ano passado estive inscrito mas não participei por precaução, de modo a não agravar uma lesão, fazia por isso questão de experimentar a tão badalada corrida do Tejo. O segundo porque iria acompanhar um grande amigo, Luís Carapeto, na sua primeira corrida de estrada após vários e longos anos de interregno.

Eu e o Luís, chegamos em boa hora a Oeiras, para apanhar o comboio para a zona da partida em Algés. Apinhado e com pouco espaço para sequer respirarmos lá fomos embalados pelos solavancos do CP da linha. Chegados a Algés o ambiente era fantástico. Imensa gente vestida a preceito (leia-se a camisola-dorsal igual para todos) cheia de vontade de correr lado a lado com o Tejo. Respirava-se uma adrenalina contagiante que nos embrenhava num estado de espírito competitivo amigavelmente são. Gente, muita gente espalhada por todos os cantos, ruas, ruelas, cafés mas em todas se lia nas feições o mesmo objectivo, a mesma vontade de correr. O Luís como estava em estreia lá ficou no último deck de partida ao lado daqueles que tinham tempos menos rápidos, enquanto isso eu tinha-me inscrito para os sub-45min e ficava um pouco mais à frente. Depois de todo aquele alarido publicitário que só a Nike nos pode oferecer, enriquecido por um Manzarra bem-disposto, lá se deu o tiro de partida para os 10km da corrida do Tejo. Apesar de não estar muito atrás, quando passei no pórtico de partida já tinham voado 20 e qualquer coisa segundos.

 O primeiro km, como é normal nesta corridas com bastante afluência, é sempre um pouco confuso com ultrapassagens, desvios, guinadas e outras manobras menos adequadas à corrida, mas a malta lá sobrevive e pouco depois já tudo corre como manda a lei. Correr na marginal é sempre uma incógnita, pois nunca se sabe se o vento vai ajudar ou dificultar a corrida. Hoje voltei a ter o vento de frente, digo voltei porque das várias vezes que já corri na marginal tive sempre essa “sorte”. Até ao primeiro abastecimento, km 3,5, os km´s voaram sem dar conta, não tinha sequer olhado para o relógio para me situar quando vislumbro a 800metros o Pacer dos 40min. Admito que delirei um pouco, pois em nada estava à espera de estar a correr a um ritmo tão alto. O mar de camisolas brancas e azuis enchia a marginal, guiados como que por um grito de revolta que tivesse acordado aquele batalhão para um ataque pelas ruas da marginal, recheada de transeuntes a aplaudir, a incentivar e a vibrar com os mais destemidos.


Continuei sempre com o pacer na ideia, sempre na tentativa de lá chegar. Foi essa ideia e esse objectivo que serviu de mote e me manteve sempre focado em chegar mais além. Depois da última subida, entrávamos no 9ºkm, fiquei ali mesmo com ideia que não chegava aos 40min, mas mesmo assim forcei o andamento, contornei a rotunda por fora a passar atletas e entrei para os últimos 400metros praticamente em sprint, pelas minhas contas ainda podia chegar á minha melhor marca nesta distância. O público aplaudia efusivamente os atletas que iam chegando, o ambiente festivo absorvia-nos e ao mesmo tempo alimentava-nos a mente e corpo para mais um esforço. Outra ultrapassagem e avisto o relógio, estou quase lá. Forço um pouco mais, ou fico com ideia disso, continuo. Os segundos ao mudarem como que rufam na minha cabeça, mas contínuo focado em cortar a meta. E já está. Caminho agora para recuperar do esforço. Normalizo a respiração e ligo para casa, sei que o Luís iria demorar mais um pouco. O telemóvel recebe uma mensagem, 5 minutos depois de ter terminado a prova recebo o meu resultado oficial lugar 386º da geral, 40m38s média de 4m04s/km, passagem aos 5km 20m18s. Fantástico Bati o meu PR na distância por 6 seg. Agora sim fico verdadeiramente eufórico com a minha prestação. Falta o Luís fazer abaixo da hora para sairmos pela porta grande. Vejo-o passar aos 9km e ainda se ri. Força, que estás quase lá! Acaba com um resultado oficial de 58m08s.Está feito! Parabéns Luís. Espectacular! Ambos cumprimos os nossos objectivos. Saldo verdadeiramente positivo desta corrida do Tejo, com uma organização 5 estrelas, mais um atleta a reentrar no mundo da corrida e o meu PR nos 10K.
Assim compensa ser corredor de Domingo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Da Meia das Lampas ao Treino Longo na Amora

Ainda as Lampas....

Todos os atletas têm as suas preferências em relação á prova A ou B. As razões mudam para cada atleta ou individuo, mas existem sempre condições, premissas ou factores que nos levam a crer que determinada prova é melhor que todas outras. No meu caso, a Meia de São João das Lampas é, creio que muito dificilmente algum dia deixará de ser, a minha prova favorita. Atenção que não é minha meia maratona favorita ou a minha maratona especial, Não! È pura e simplesmente aquela prova. A Tal. A “ El Especial” ,em palavras convertidas de um espanhol com sotaque Mourinho. Mas mais que tudo isso, e o que mais me orgulha. É que passei um ano a desafiar um amigo para correr esta prova e depois do que tudo o que contei, de tudo que lhe descrevi, terminou a prova lado a lado comigo e disse. – Isto é ainda melhor que aquilo que me contaste. Dito isto só posso deixar um grande abraço de Parabéns ao meu amigo Fernando Andrade e a todo o staff da MMSJL
 Obrigado por nos oferecerem esta magnifica meia maratona!
Para variar os TANDUR lá estiveram novamente, Já há muito desfalcados do António Almeida, ficara previamente definido que seria esta a última prova que correríamos com este nome, creio que continuaremos sempre a ter um elo tanduriano que nos ligará, mas por agora ficará apenas a amizade e o prazer de correr.  Como já passou uma semana é fácil fazer um balanço positivo da prova, não porque tenha feito uma prova fenomenal, mas porque apesar de alguns contratempos físicos, acabei com um tempo 2segundos melhor que o ano anterior.  1h43m21s e ainda não foi desta que o Coutinho ganhou, esteve quase mas o foto finish deu empate.
 
 
 Regresso aos Treinos - Mais um Longo
Uma semana depois das Lampas e ainda a recuperar de uma pequena mazela na parte posterior da coxa direita estava na altura de mais um treino longo. Longo a pensar no Porto, mas lento para me defender da mazela. Correr ao Domingo é um vício que levou ao nome do blog, mas ao mesmo tempo é um momento de confraternização com os amigos e companheiros de estrada. Eu o Vitor e o Pedro lá partimos para mais um LSD ( Expressão americana para um treino longo, Long Slow Distance) de domingo com  a ideia de fazer perto de 25km. 7h30 na estrada prontos para palmilhar km´s. Desta vez uma volta diferente, num ritmo brando com tempo para conversar e apreciar os km´s. Por momentos esquecemos os tempos a bater, os km´s a alcançar para nos divertimos a fazer jogging com muito joking à mistura. Saímos da Cruz de pau em direcção ao Fogueteiro quase sem se ver vivalma, e quando demos conta no meio da conversa e da galhofa estávamos a chegar á siderurgia.  Só para terem uma noção da paródia até um tipo que se fez passar de Fernando Andrade nos ia dando um banho com balde, a relembrar o episódio das Lampas. Já no seixal, chuveirinho à borla no Centro de estágio do glorioso e para finalizar o treino ainda ofereci ao Pedro e ao Vitor uma breve demonstração das Rampas da Cruz de Pau. Foi um treino em grande com 23km´s e picos em 2h e qualquer coisa. A mazela só chateia nas subidas e quando o ritmo acelera o que de certo modo coloca em causa a participação na meia da Ponte Vasco da Gama, mas nesta altura a Maratona do Porto é o principal objectivo. Resta-me seguir o plano e recuperar bem para que o objectivo seja uma realidade.
É por estas e muitas outras razões que sou um corredor de domingo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

24ºCorrida do Avante

Há dias em que vale a pena correr, e este domingo foi um deles. A corrida do Avante tornou-se inevitavelmente um marco cá em casa. O ano passado foi acabar a corrida e correr para o Hospital para ver o primeiro banho da minha filhota, este ano foi acabar a corrida e correr para soprar a primeira velinha.

Correr ao fundo da rua é correr em casa, correr onde treinamos é apenas e só mais um passeio.

8H30, e novamente as bombas de gasolina a servirem de ponto de encontro para mais uma jornada. Eu e o “primo” Vítor lá marcámos presença pelo segundo ano consecutivo na corrida do Avante para mais uns km´s num local que ambos bem conhecemos dos inúmeros treinos ali efectuados. Cedo nos dirigimos para o local dos dorsais, onde mais uma vez listava o nome TANDUR. Por entre uma agradável troca de palavras com a família Parro, chega a notícia que o Coutinho estava ligeiramente atrasado, sem dorsal nem alfinetes. Claro que entre amigos tudo se resolve, divide-se o mal pelas aldeias, 2 alfinetes a cada um e vamos todos mais leves. A postos para a partida era de fácil percepção que faltava o Pedro Ferreira. Está feito um verdadeiro Karnazes, sai de casa para treinar e sincroniza o fim do treino com o tiro de partida, enfim uma verdadeira loucura. Após uns breves reencontros e trocas de palavras com a malta bloguista, o Fábio, o Hannilton, a Henriqueta, a Ana e tantas outras caras conhecidas estava na hora da tão ansiada partida. Com uns primeiros 500 metros bem apertados pela multidão, eu, o Vítor e o Coutinho tentávamos a todo o custo furar por cada nesga na tentativa de começar a impor o nosso ritmo de corrida. Aquela marginal da Amora era banhada agora não pelo Rio, mas por uma multidão de gente colorida que enchia as ruas na solarenga manhã. É uma imagem que em tudo contrasta com as vividas nos treinos ali efectuados nas mesma ruas vazias e sem cor. Perto do primeiro km e no meio das normais sinfonias garminianas avisto os meus pais, tinham aproveitado para passar a dar uma força, que é sempre benvinda nestes dias de prova. Os primeiros 3 km´s voaram na marginal Amorense num ritmo rápido, sempre abaixo dos 4m25s. Nesta altura o Coutinho começava a sentir algumas dificuldades para acompanhar o ritmo e sem avisar foi baixando o andamento e o ritmo, descolando de mim e do Vítor.
Perdemos um, ganhámos outro. Ainda nem tínhamos percebido que o Coutinho tinha ficado um pouco para trás quando alcançamos o Pedro ”Karnazes” Ferreira. Fomos juntos por pouco tempo, talvez o suficiente para um…. - "olá bom dia. Estás bem? Já fomos". Eu e o Vítor rolávamos rápido de mais para o Pedro já desgastado do treino matinal. Já na marginal Seixalense, e com um ritmo que considerávamos muito bom, 4m10s\km somos varridos por um vendaval de nome Luís Feiteira, que já vinha de volta com cerca de 30s de avanço para a concorrência. Acreditem que desmotiva e muito qualquer corredor de pelotão assistir aquele voar baixinho. Perto do retorno, ficámos novamente a três. Tal como o ano passado o João do CRCP seguia ali ao lado juntando-se aos Tandur para os km´s de regresso. A viagem tornou-se ainda mais rápida que a vinda nem dando tempo para apreciar a magnifica paisagem daquele braço do Tejo a banhar as cidades vizinhas de Amora e Seixal. Já na Amora, o Vítor começava a acusar o desgaste do trilho nocturno feito na noite anterior, deixando-me a mim e ao João já perto do último km. Mesmo com mais uma semana sem km´s acumulados em treinos, as pernas ainda tinham força para mais um esticão e após uma breve troca de palavras com o João, arranco para um último km em 4min. Chegado são, salvo e satisfeito era tempo de mais uma foto para a praxe com o “primo” Vítor, um abraço ao Coutinho e aos meus pais e correr para casa para um beijo à família e principalmente à minha pequena Princesa Matilde para com ela comemorar o seu primeiro aniversário.
Parabéns Filhota!