segunda-feira, 5 de setembro de 2011

24ºCorrida do Avante

Há dias em que vale a pena correr, e este domingo foi um deles. A corrida do Avante tornou-se inevitavelmente um marco cá em casa. O ano passado foi acabar a corrida e correr para o Hospital para ver o primeiro banho da minha filhota, este ano foi acabar a corrida e correr para soprar a primeira velinha.

Correr ao fundo da rua é correr em casa, correr onde treinamos é apenas e só mais um passeio.

8H30, e novamente as bombas de gasolina a servirem de ponto de encontro para mais uma jornada. Eu e o “primo” Vítor lá marcámos presença pelo segundo ano consecutivo na corrida do Avante para mais uns km´s num local que ambos bem conhecemos dos inúmeros treinos ali efectuados. Cedo nos dirigimos para o local dos dorsais, onde mais uma vez listava o nome TANDUR. Por entre uma agradável troca de palavras com a família Parro, chega a notícia que o Coutinho estava ligeiramente atrasado, sem dorsal nem alfinetes. Claro que entre amigos tudo se resolve, divide-se o mal pelas aldeias, 2 alfinetes a cada um e vamos todos mais leves. A postos para a partida era de fácil percepção que faltava o Pedro Ferreira. Está feito um verdadeiro Karnazes, sai de casa para treinar e sincroniza o fim do treino com o tiro de partida, enfim uma verdadeira loucura. Após uns breves reencontros e trocas de palavras com a malta bloguista, o Fábio, o Hannilton, a Henriqueta, a Ana e tantas outras caras conhecidas estava na hora da tão ansiada partida. Com uns primeiros 500 metros bem apertados pela multidão, eu, o Vítor e o Coutinho tentávamos a todo o custo furar por cada nesga na tentativa de começar a impor o nosso ritmo de corrida. Aquela marginal da Amora era banhada agora não pelo Rio, mas por uma multidão de gente colorida que enchia as ruas na solarenga manhã. É uma imagem que em tudo contrasta com as vividas nos treinos ali efectuados nas mesma ruas vazias e sem cor. Perto do primeiro km e no meio das normais sinfonias garminianas avisto os meus pais, tinham aproveitado para passar a dar uma força, que é sempre benvinda nestes dias de prova. Os primeiros 3 km´s voaram na marginal Amorense num ritmo rápido, sempre abaixo dos 4m25s. Nesta altura o Coutinho começava a sentir algumas dificuldades para acompanhar o ritmo e sem avisar foi baixando o andamento e o ritmo, descolando de mim e do Vítor.
Perdemos um, ganhámos outro. Ainda nem tínhamos percebido que o Coutinho tinha ficado um pouco para trás quando alcançamos o Pedro ”Karnazes” Ferreira. Fomos juntos por pouco tempo, talvez o suficiente para um…. - "olá bom dia. Estás bem? Já fomos". Eu e o Vítor rolávamos rápido de mais para o Pedro já desgastado do treino matinal. Já na marginal Seixalense, e com um ritmo que considerávamos muito bom, 4m10s\km somos varridos por um vendaval de nome Luís Feiteira, que já vinha de volta com cerca de 30s de avanço para a concorrência. Acreditem que desmotiva e muito qualquer corredor de pelotão assistir aquele voar baixinho. Perto do retorno, ficámos novamente a três. Tal como o ano passado o João do CRCP seguia ali ao lado juntando-se aos Tandur para os km´s de regresso. A viagem tornou-se ainda mais rápida que a vinda nem dando tempo para apreciar a magnifica paisagem daquele braço do Tejo a banhar as cidades vizinhas de Amora e Seixal. Já na Amora, o Vítor começava a acusar o desgaste do trilho nocturno feito na noite anterior, deixando-me a mim e ao João já perto do último km. Mesmo com mais uma semana sem km´s acumulados em treinos, as pernas ainda tinham força para mais um esticão e após uma breve troca de palavras com o João, arranco para um último km em 4min. Chegado são, salvo e satisfeito era tempo de mais uma foto para a praxe com o “primo” Vítor, um abraço ao Coutinho e aos meus pais e correr para casa para um beijo à família e principalmente à minha pequena Princesa Matilde para com ela comemorar o seu primeiro aniversário.
Parabéns Filhota!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

10ºTrilhos de Monsanto

E eis que começa tudo de novo. Final de agosto e a malta calça os ténis para voltar às provas e ao alcatrão. Mas este ano a época começou diferente, nada melhor que habituar o corpo a outras andanças com uma prova de trilhos. 10.º trilhos de Monsanto.
Numa das muitas subidas

Este domingo eu e o Pedro Ferreira, lá partimos à aventura de uns trilhos à porta de casa. O Pedro com uma enorme comitiva, levava claque (Noname Bruno) e um grande fotógrafo mundialmente conhecido (Joaquim Ferrari) estreava-se nos trilhos (não gostaste mas vais lá voltar, é sempre assim!). Eu com poucos treinos lá embalei na aventura e sem grandes aspirações ao tempo final, apenas esperava forçar o andamento para ver como se comportavam as pernas.  9H45m. Lá vai disto, toca a dar corda aos sapatos que isto começa já a subir. Nem ao fim do primeiro km tínhamos chegado e a primeira das muitas íngremes subidas começa a testar as forças e as vontades que a malta levava.  As primeiras imagens que guardo é a de um pelotão a subir uma passagem aérea sem fila sem atropelos ou chatices logo seguida de uma interminável subida, dura muito dura, que alongava um imenso mar de cores, coloridas, berrantes e saltitantes nos corpos de cada um. É magnífico correr neste ambiente de Monsanto, aquele verde que nos envolve imergindo uma sensação de leveza só quebrada pelas passadas bruscas e ruidosas daqueles aventureiros que decidiram bater aqueles longos e duros trilhos.

Uma das loucas descidas
Marcados pelas anteriormente calmas, pedras soltas, os trilhos e caminhos, eram agora varridos, acordados, sacudidos e espalhados.  Mesmo sendo uma prova dentro da cidade de Lisboa, não deixa de ser uma prova do circuito Nacional de Montanha o que faz com as subidas sejam coisa séria e as descidas, uma pequena grande loucura. Acabei por subir melhor do que esperava, mas desci bem mais rápido do que alguma vez imaginei. Foram 12 km's enfiado naquele carrossel de Monsanto, fugindo aos buracos, contornando pedras e paus, correndo ou andando quando as coisas apertavam e o piso era mau. Mas foi brutal!
 
À entrada da recta da meta, ainda com pernas para mais uma ultrapassagem
Um misto de sacrifício e dor ao subir com uma descarga de adrenalina numa descida a uma velocidade alucinante, arriscando aqui e ali o abraço ao pinheiro mais próximo ou uma derrapagem mais firme para evitar criar atalhos à pressa. Mas no meio disto tudo, sobrevivi sem cair até chegar ao piso direito e firme da passagem aérea para aí deixar fugir o tapete e estatelar-me redondo no meio do chão. Serviu para abrir a pestana e fazer o último km no prego, terminando esta estreia nos trilhos de Monsanto com 1h05m. Acabei por ficar bastante satisfeito com a prestação, pois treinos nem vê-los, mas mesmo assim as pernas deram uma resposta perante o elevado grau de dificuldade.
À chegada com 1H05m.
120ºLugar em 416 Participantes (geral)
48º em 256 do Escalão Elite M

Uma coisa é certa, começa a ser uma realidade que estou a ficar um verdadeiro corredor de domingo!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Regresso aos Treinos

Depois de duas semanas a fazer provas de fundo, da cozinha até ao fundo do corredor, cheguei à “brilhante conclusão” que estava na hora de calçar novamente os ténis e fazer meia dúzia de km´s. Até aqui tudo bem. Treino agendado para o domingo de manhã, ou não fosse eu o corredor de domingo, dos 5 inicialmente previstos apenas 3 compareceram, Eu o Vitor Veloso e o Pedro Ferreira. O Coutinho tinha ficado em casa, depois de uma má noite das crianças, o Parro influenciado pela Volta a Portugal e pela "Vuelta", tinha trocado os ténis pela esticadinha. Resumindo 2 baldas.

Desta vez a partida fez-se da Cruz de Pau, sim essa bela localidade, com o objectivo de fazer 20 e poucos km´s partimos em direcção á Fonte da Telha com previsão de abastecimento no parque da Verdizela. Os primeiros km´s foram uma autêntica revista da actualidade com o constante debate de ideias sobre o actual momento do glorioso bem como de todas as noticias dos corredores de pelotão. Eu diria que até ao primeiro abastecimento foi tudo a rolar sem problemas num ritmo calmo apenas para apreciar a paisagem e cumprimentar todos os “Parros” que iam passando. Eu passo a explicar para que não haja aqui nenhuma confusão. Dado que o nosso amigo Luis Parro, tinha trocado os ténis pela esticadinha( n.r.d termo regularmente usado pelo próprio para definir a bicla de ciclismo) todos os ciclistas que avistávamos passaram a ser gentilmente chamados de Parro. Num Domingo de amanhã acreditem que vimos muitos “Parros”. Para cada um que passava por nós havia um gentil, Bom Dia Parro, ou olá Parro sempre com a esperança que fosse o original Luis a responder, mas que nunca veio a acontecer.

Depois do primeiro abastecimento, lá continuamos a caminho das Praias num passo agora mais vivo e cativante. Eu e o Pedro lá íamos trocando galhardetes e piadas, enquanto que o Vitor sem dar muito cavaco vinha no nosso encalço. Ainda retorquimos algumas piadas normais nestas ocasiões, como “ Vais a dormir?”,” devias ter lavado a cara no Abastecimento”. Só mais tarde viemos a descobrir que ia na ronha para nos dar uma coça após o retorno. Chegados ás Praias, começava a “ vingança do Veloso”, é só mais um pouco, vamos até aos portões da NATO, é já ali. O já ali aumentava a volta em mais 3,5Km, mas como nesta altura as pernas ainda não se queixavam lá fui. Chegámos ao tão badalado portão da Nato na mesma altura que outro corredor de domingo, se encontrava a fazer o retorno. Claro que a esperteza franciscana foi, paramos um bocadinho, damos-lhe avanço e depois passamos por ele na bisga. Era para ser uma piada mas acreditem que não foi. Feito o retorno, olho para o garmin e com um rápido calculo percebo que a meia de dúzia de km que pretendia fazer ia acabar perto dos 28km´s!!!!!! Ia pagar a aventura no corpo e logo hoje que não tinha levado dinheiro para o táxi.

5 minutos de descanso e claro 5 minutos de atraso que tínhamos de recuperar para voltar a apanhar o tal corredor. Um pouco mais rápido, lá fomos andando numa média perto dos 5 min/km. Um batalhão de “Parros” passava nesta altura por nós quando no meio da conversa, sai um inesperado. -Olha o Adelino! Gargalhada geral. Era um senhor de bigode extremamente parecido com o nosso amigo Joaquim Adelino no meio daqueles batalhão de….ciclistas. Ao longe, vislumbramos o nosso objectivo, apanhar o corredor de domingo, que “ só” ia perto de 2 km á nossa frente. O Pedro em tom de brincadeira, deita o mote. -Queres mesmo apanhar o tipo! Sem pensar duas vezes, e esquecendo os músculos já um pouco doridos passo para frente da malta e digo. – Vamos lá, este já não escapa! Que ideia mais triste, só eu sei o que aquilo me custou nos últimos 3 km. O mote do Pedro, sim foi ele o culpado, levou nos para 4:40 min\km, e pouco depois com a passagem do veloso para a frente 4:20min\km. E foi assim praticamente até chegarmos novamente ao posto de abastecimento. Claro que passámos na bisga pelo rapaz, que honestamente não merecia aquele tratamento, mas que soube bem soube.

Vitor Veloso, Eu e o Pedro Ferreira

Última paragem para hidratar e tirar a foto da praxe no parque da Verdizela, ainda tentámos cortar algumas letras ao placar para se ler Vizela, mas não surtiu efeito. Íamos agora para os últimos 7 km, os músculos já doridos deixavam-me um pouco na defensiva, mas quando assim é mais vale acelerar o ritmo para chegarmos mais depressa. O Pedro Ferreira, assumia agora a marcação da passada, num ritmo pouco abaixo dos 5min/km. Em duas semanas evoluiu imenso sentido-se bastante à vontade a “ bater” na malta já dorida. Até aos foros da Amora, a coisa não foi má, mas agora as dores musculares faziam-me pagar a factura de 2 semanas sem treinar e aqueles últimos 3 kms, obrigaram-me a sofrer o suficiente para nas próximas semanas não voltar a repetir a graça de mais umas quantas baldas aos treinos. Nos últimos 500 metros ainda o Pedro e o veloso discutiram a vitória ao sprint e eu cá a trás a rir, mas a pensar cá para mim se tivessem as dores que eu tenho nas pernas queria ver se acabavam ao sprint.

O mais importante é que estava feito mais um treino, longo muito longo para mim. Com 27,5km e 2h20m corridos, 5 estrelas para quem não corria há duas 2 semanas, 6 estrelas pela companhia e pela boa disposição. Obrigado Companheiros.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

10.ª Corrida do Oriente


Pela segunda vez fui ao Oriente, não ao Oriente propriamente dito, mas ali para os lados da Expo, onde praticamente tudo é Oriente ou parecido. Até uma corrida tem o nome mais badalado para aqueles lados, Corrida do Oriente e vejam bem já é assim há 10 anos.

O ano passado tinha feito a minha melhor marca aos 10km´s nesta corrida, mas este ano os dias passam e os treinos fogem o que me fez ter uma ideia mais realista para esta prova que passava apenas por rolar. O clã estava em força, até a pequena Matilde foi dar uma força ao Pai, o que verdade seja dita me dá uma motivação extra para chegar ao fim e abraçar os meus filhotes. Comecei rápido naquele empedrado difícil, duro e acima de tudo irregular, muito irregular. O primeiro km vou rápido, sem saber ao certo como ou porquê pois não me sentia propriamente motivado para andar acelerar e a serpentear por entre a vasta multidão de gente que tal como eu tinha calçado os ténis para uma corrida de fim-de-semana. O meu pensamento não estava totalmente concentrado na corrida, faltava ali alguma companhia, desta vez não havia Tandur. Corri sozinho, os primeiros km´s a pensar que devia ter esperado pelo grande companheiro Mário Lima, ou que devia ter procurado o Coutinho conforme o combinado, mas nada disso aconteceu. Corria apenas por correr, embalado pelo pelotão pelas avenidas do Parque Expo, sem ordem, sem Norte e só. As pernas pesadas da falta de treinos também não estavam a ajudar, mergulhando o corpo num sofrimento sem dor, numa angústia, por chegar perto dos meus filhos, mesmo sabendo que apenas faltavam alguns km´s. Ao longe uma voz grita o meu nome, fazendo reagir o corpo. Os olhos saem temporariamente do Alcatrão e vagueiam em volta até encontrar o conforto de um rosto conhecido, o companheiro Joaquim Adelino. Se ele não me gritasse, tinha passado mesmo ao lado sem dar por nada. Um pouco mais desperto, fui continuando, embalado no ritmo do pelotão mudo e ansioso pelo abastecimento, de modo a afastar o calor que se fazia sentir. Foi neste mesmo abastecimento que comecei a sentir a corrida novamente. Molhei a cara, depois o pescoço e a cabeça.

Um gole para molhar a garganta e parecia rejuvenescido. Olhei para o garmin para tentar perceber o que tinha perdido até ali. Não era mau, mas também não era bom. Resignei-me e apenas corri. Ao km 5, finalmente aparece companhia. O amigo Coutinho vinha no meu encalço. Depois de uma rápida e corrida saudação, fizemos logo ali uma coligação, talvez por a palavra estar na moda, mas a verdade é que no meio daquela “Troika” toda, ficou acordado que iriamos juntos até ao fim. A conversa animou a corrida, talvez mais a minha que falo pelos cotovelos, mas estava agora motivado, já tinha um objectivo. Os km´s seguintes foram sempre a aumentar o ritmo, até que ao 7km o Coutinho começou a ficar para trás. Estava desgastado, dizia ele com o Pulsómetro a apitar cento e tal batimentos por minuto. Nesta altura sentia-me com força para aumentar o ritmo, mas não o fiz. Comecei a gritar pelo Coutinho, a tentar dar-lhe força. E mal ou bem lá o convenci a vir no meu encalço. Cada vez que se atrasava um pouco, levava mais grito para acordar. No fim acabou por dar resultado. Acabamos os dois com 43 minutos e tal, mas tínhamos cumprido o objectivo de acabar juntos. Eu sem pernas para mais andamento, acabei sem problemas uma prova que de princípio mais parecia o fim do mundo.

E depois. Bem, depois, foi correr mais um pouco, mas desta vez para os braços dos meus filhotes, e sorrir para o retrato que a fantástica Mãe e Mulher já estava de máquina na mão!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

III Meia Maratona na Areia

Corri pela segunda vez a meia maratona na areia...que saudades de correr à beira - mar.
Mais uma meia concluída, mas não é uma meia qualquer, é a meia maratona na areia uma prova de corredores para corredores realizada nos areais da Costa Azul, com partida e chegada na Costa da Caparica.  Desta vez o clã foi todo à Prova, até a minha pequena Matilde foi saber o que era a praia, pena o vento forte que apenas serviu para chatear.
Depois de recolher o dorsal e entre dois dedos de conversa e meia dúzia de posses para a fotografia com alguns companheiros e amigos, os Tandur (Eu e o Veloso), lá foram para mais uma aventura no areal da caparica. 9:30, tiro de partida. O mar de côr, anteriormente condensado e compacto, libertava-se pelo areal.
As camisolas coloridas, espalhavam-se velozmente. Sem ordem. Sem jeito. Como se de suaves pinceladas se tratassem, invadiram os tons suaves da areia e do mar. Os primeiros km´s, foram envoltos pela côr e pelas gentes, circundados de um lado pelo mar e pelo outro pelas dunas, mas esmagados pelo azul do céu e o seu sol quente de Maio, mas ao mesmo tempo varridos pelo vento forte, pesado, e traiçoeiro. A maré agora baixa, deixava uma pista, marcada aqui e ali por pegadas enterradas na areia de outros que também correm. Sem trilhos, sem estradas, apenas um cone, e agora outro, e daqui a pouco, novamente aquele cone. Apenas com um número, a recordar o caminho feito mas sem avisar o que estava por fazer. Tinham passado 5 kms, quando o primeiro abastecimento nos traz a cara amiga de outro Tandur, o António Almeida. Estava hoje do lado de fora a distribuir aquele bem tão precioso, nestas andanças, a água. Até à Fonte da Telha, a pista foi perdendo a forma, o jeito e ao mesmo tempo ganhando, sobressaltos e zonas matreiras. O areal anteriormente mais rijo era agora solto até bem perto do mar, criando um zigue-zangue constante, num jogo de gato e do rato entre manter os pés secos ou molhados por uma onda mais longa que nos apanhasse de surpresa. Já perto do retorno, os treinos outrora falhados, começam a matar o ritmo. Deixei ir o Vitor. É nestas alturas que se nota quem treina, e quem simplesmente não o faz. Ciente das dificuldades que passaria, abrandei. Recolhi o fio de nylon que marca o retorno e deixo-me  ir. A primeira cara conhecida que vejo, em sentido contrário deixa-me surpreso, o meu amigo Coutinho, a fazer a estreia nesta prova vinha logo ali. Voltei a pensar, mais um que treina e eu não. O cruzar de atletas nos dois sentidos era agora uma constante, o que verdade seja dita anima que vem de regresso e aborrece os que ainda vão a caminho do retorno. É nestes momentos que só me vem à cabeça que a partir dali é a descer. Depois, do Carlos Melo, o Luis Parro e o Mário Lima passarem por mim, ganhei ânimo, ainda vejo o Vitor ao longe e isso ajuda a aumentar o ritmo. Novamente na passagem pela Fonte da Telha o piso melhora um pouco, faltam 7 para o fim. Sinto que as pernas estão bem e o ritmo vai aumentando km após km, duvido que o garmin me minta nestas alturas. Levo comigo ainda uma garrava do último abastecimento, já vazia não serve de muito, mas com a chegada aos 15km, o Almeida, dá corda aos sapatos e corre a meu lado, incentivando e fornecendo mais uma garrafa cheia. Aquele incentivo, valeu ouro. Isto é para correr e não para vir à praia passear. Sem pensar muito, vejo a Costa da Caparica a aproximar-se, serpenteio pelo meio dos caminhantes, banhistas e afins. Estou quase lá. 21 km e o meu filho espera por mim, aquele seu sorriso malandro enche-me de orgulho. Corre para mim e dá-me a sua pequena mão, para lado a lado com o “velhote” terminar a meia na areia. Assim vale a pena chegar à meta, mesmo que seja com 1h44m04s.

Depois disto, ainda tive tempo de abraçar o Vitor e voltar atrás para fazer os últimos metros lado a lado com o Coutinho, que derrubado pelo vento forte e pela areia nos pés já vinha descalço com os ténis debaixo do braço.
Em último, duas palavras. A primeira de bastante apreço e satisfação pela Excelente organização do mundodacorrida.com, na minha opinião, sem falhas, observações ou reparos. A segunda de desprezo e desilusão por ver que muitos atletas ainda se comportam com gestos sem ética, atirando garrafas vazias para qualquer lado e direcção. Eu, deixei todas as garrafas vazias no local apropriado no abastecimento seguinte e inclusive, terminei a prova com a garrafa do último abastecimento vazia e amachucada na mão, apenas e só por uma questão de civismo e respeito pelas praias e pelos banhistas de quem também muitas vezes faço parte.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Estafeta Cascais-Oeiras-Lisboa

Domingo de manhã, pronto para mais uma corrida. Desta feita a mais antiga prova portuguesa, Estafeta Cascais-Oeiras-Lisboa. Os 2 Tandur destacados chegaram cedo ao Estoril, desta vez com o meu pai a servir de motorista e fotógrafo da malta, mas nem com esta ajuda a busca pelo café da manhã se tornou menos longa e infrutífera. Ao invés o aquecimento curto mas bastante proveitoso permitiu-nos encontrar algumas caras conhecidas para 2 dedos de conversa e rápidas saudações.

9H30, tiro de partida. Tudo começava à volta dos dados, da roleta, das slot´s e de outros tipos de sorte ou azar. Não jogámos, mas arriscámos. Ao contornar o magnifico Casino do Estoril, ditávamos a nossa sorte numa corrida de ritmo forte e compassado, eram 20km´s que nos separavam da chegada, de Belém e daqueles que nos aguardavam. O vento parecia dar luta, mais que o esperado, mas mesmo assim continuavam as quatro pegadas no alcatrão, os 2 mortais, os 2 corpos, numa só corrida, numa só equipa em busca do objectivo comum de cortar mais uma meta. A marginal o que nos dá, também nos tira, e em troca daquela miragem de mar imponente, e avassalador, retirava-nos suavemente a força e a vontade com aquele matreiro vento, malvado, batendo ligeiro, suave, sem dar tréguas, impondo uma resistência nos 2 Tandur a correr lado a lado.
Depois de deixar o mar a foz mostrava-nos o rio, com o solitário Bugio a marcar essa ténue linha entre o Tejo e o Atlântico. Olhei vagamente, primeiro a marginal, as pedras e a sua gente banhada no sol quente daquela manhã, depois o areal nas suas brincadeiras de esconde-esconde entre a espuma de mais uma onda e maré agora alta. Depois as águas do Tejo e o choque com o atlântico originando mais ondas, mais espuma e rebentação. Do outro lado, na margem a sul, a Trafaria e os seus imponentes pipelines, a Costa e os seus paredões. A maré está calma, apenas o sol nos banha a cara e o corpo, mas o vento mantêm-se cada vez mais forte, mais astuto e traiçoeiro. Depois do Estoril, já tinha ficado para trás, São Pedro, Parede, as praias de Carcavelos, Oeiras, Santo Amaro e nem em Caxias ficou o vento preso nas pedras gastas na história do forte. O meio-termo tinha passado, os Tandur continuavam ali, lado a lado, ritmados numa passada rápida, certa, ordenada. O Vento não mudou e a história não alterou, a vontade de chegar era mais forte. Na Cruz Quebrada, o rio continuava ali do nosso lado direito, correndo em sentido contrário, dizendo de onde vinha trazendo histórias, locais e até a ponte já no seu postal. O caminho era agora mais plano e rápido, os Tandur tinham passado a maior barreira e atrás de outros que ditavam agora a passada, seguiam seguros de si mas com ânsia de chegar. Algés e logo depois começava a chegar Belém e os seus Jardins entre a estrada e o mar que guarda o mural daqueles combatentes de outrora, heróis de uma pátria de outros tempos áureos, recheados de lendas e contos de gente forte, ambiciosa e audaz.
Com a pele queimada pelo sol da manhã, coberta de um sal de suor seco os Tandur avistavam o CCB. Era agora um oásis, que contrariava as forças , que vacilavam no corpo gasto pelas investidas daquele vento ao longo dos já palmilhados kms. Mas a família estava lá. Todos aguardam os 2 Tandur. Não é tempo de chorar pela ligeireza dos fortes sentimentos, mas sim de sorrir. De sorrir de mão dada com uma criança que faz parte de mim e com ela cortar mais uma meta. 1h31m de braço dado com o mar, com o rio e a marginal para abraçar a magnífica e imponente Lisboa, a Cidade a ponto luz bordada, a Toalha à beira mar estendida.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Raid Atlético de Vale Barris

 O ser humano é uma criatura complexa, cheia de engenhos, aptidões e capacidades muitas vezes ocultas ou dominadas por uma mente absorvida nos limites do corpo que ocupa. Mas por vezes, a mente supera o corpo e quando isso acontece a criatura complexa transcende-se e ganha uma nova vida carregada de adrenalina e emoções que superam todos os seus limites.

Saí da estrada, por momentos esqueci os muitos quilómetros em estradões escuros marcados a branco e parti. Parti à aventura. Parti porque alguém me desafiou a partir. Parti simplesmente porque decidi mudar um pouco. Sai do Alcatrão e abracei pela primeira vez uma prova de trilhos. O Raid Atlético Vale Barris serviu assim para apadrinhar uma estreia à muito prometida mas muitas vezes adiada.

Os Tandur lá estiveram os três para percorrer aquelas serras, os dois “Veteranos” (António Almeida e Vítor Veloso) e o novato nestas andanças (eu). Tinham-me dito que esta prova era ideal para me iniciar nos trilhos, que no ano anterior tinha sido “fácil”., e mesmo após alguma pesquisa na blogosfera pensei que assim seria. Mas cedo descobri que esta edição não iria ser assim, primeiro pelo excelente briefing inicial e depois pela “estágio” efectuado na noite anterior no SAP com o diagnóstico de uma amigdalite e uma otite. Partida feita às 9H e logo aos 600metros, toca a subir. Ao fim do primeiro km já tinha feito 200metros a andar porque era impossível correr naqueles trilhos íngremes e de pedras soltas que levariam aos moinhos. Ao chegar ao cimo, deslumbrei-me pela primeira vez. A vista dali era maravilhosa, tal e qual como uma pintura, delineada pelo céu azul no horizonte e por aqueles verdes campos e serras a enquadrar o imponente e solitário castelo de Palmela. Aproveitei o momento, procurando com os olhos absorver o máximo que aquela paisagem me dava em troca de cada metro percorrido. Uma descida, uma curva, dois ciclistas em sentido contrário e toca a curvar no que parecia ser o voltar pelo mesmo trajecto. Mas cedo me enganei. Aos 10km, o Vítor Veloso anunciava o ritmo, 52min. Demasiado rápido? Para mim, claro que sim!

Mais um verde campo, e uma dura subida de estradão, faziam anteceder uma descida que tardava em chegar. Íamos nesta altura com uma companhia de Honra, pois tínhamos mesmo à nossa frente o Carlos Fonseca. Chegou a descida, curta mas inclinada, muito inclinada. A surpresa era tanta que nem saboreamos a descida alucinante com saltos por cima de buracos, pedras soltas, carreiros de água, enfim tudo o que aparecia, nós saltávamos sem olhar. Também foi sem olhar, sem me aperceber bem, que quando dei conta, já tudo subia e descia novamente por entre arbustos, árvores, arvoredos, pedras, buracos, o que fosse. A malta saltava em busca da marca no chão e da fita na árvore, parecíamos, lebres Sado, penso que é este o termo. Pelo meio ficou a foto do amigo Joaquim que apanhou a malta ainda a sorrir sem saber o que estava para vir. Sem me dar conta, começo a perder velocidade, começava a ser difícil acompanhar o Vítor que ia ganhando metros e gritando para que não ficasse para trás. Não estava bem, deixei temporariamente de ver a estrada à minha frente. Num km tudo mudou. A alegria e a vontade de percorrer aqueles trilhos, pareciam ter morrido no meu corpo dorido. Avisei o Vítor para continuar. Vou desistir! Não dá, para continuar. Incrédulo! Olhou para mim, mas percebeu que o seu caminho era seguir.

Estava agora no controlo dos 16km com 1h35m. Parado! Aguardava uma cara conhecida. Peguei no telemóvel e liguei para casa. A voz doce da minha mulher parecia agora sobressaltada. Que aconteceu, estás……. Sem acabar a frase ouviu-me apenas dizer. - Vou Desistir!

Ouvi, um raspanete e duas palavras de força. Acreditem era o que precisava naquele altura para me obrigar a reagir. Vejo o António Almeida e penso, que sem dinheiro para o táxi e no meio da Serra, só um Tandur me pode dar boleia. Surpreso, perguntou se estava bem. Assertivamente abanei a cabeça e colei-me no seu encalço. 200metros, e aquele ritmo também não é para mim. Deixo ir o Almeida e fico a matutar na loucura que é estar todo roto no meio da serra numa prova de auto-suficiência em que estava curiosamente, a meio. Parei para andar um pouco, comer mais qualquer coisa e decidir o que iria fazer. O telemóvel tocou. Pensei à pouco o raspanete soube bem mas agora, espero que seja “apenas” um beijo de boa sorte. Nem uma coisa nem outra, do outro lado a voz do meu filho ilumina-me a alma e rejubila-me a mente. –“ Força, Pai! Tu consegues é só correr. Força!” As palavras do meu filho estremeceram dentro de mim. Sem pensar em mais nada comecei a correr. Sabia que o pior estava para vir, mas nunca pensei que fosse assim. Levei 17min para fazer o km seguinte. Sem conseguir correr, naqueles trilhos loucos. Não era o único nesta situação pois o terreno não deixava mesmo correr, com trilhos curtos, estreitos, pedras para escalar, arbustos para desviar, ramos para saltar. Uma tortura que compensou com a chegada ao posto de vigia e aquela paisagem magnífica, de Setúbal, Tróia, o Sado, a Arrábida no seu melhor esplendor. Tinha valido a pena sofrer para ali chegar, foi pena só nos terem dado um fio de nylon de prenda de presença e uma palmadinha nas costas a dizer agora é para entregar isso na meta.

A descida, vertiginosa, alucinante, pelo meio de árvores, agarrados a cordas, a evitar escorregar e cair, deu-me a adrenalina que estava a precisar. Que loucura, aquela velocidade, desgovernada, desordeira, arrebatadora. Magnifica! Sentia-me agora rejuvenescido. Por sorte, vejo o António Almeida não muito longe. Inexperiência. Pois em trilhos não muito longe significa mais uns 3 km só para o apanhar. Depois de mais umas descidas a grande velocidade a roçar a insanidade e de umas subidas a passo de caracol, a minha audácia tinha sido recompensada e apanhava o amigo António Almeida. A prova continuava dura, mas agora éramos dois Tandur lado a lado, e quando isso acontece é sinal que seremos bem-sucedidos. Com essa força, lá continuamos a subir e a descer. A lutar para avançar km a km naquela incansável e imponente serra cheia de desafios avassaladores, envolvidos e escondidos por uma inigualável beleza. A 500 metros do Fim, lá estava novamente o amigo Adelino de máquina em punho a tirar o retrato à malta que ainda sorridente ali ia passando.

Eu e o António fizemos lado a lado aqueles duríssimos últimos 6 km. Fomos batedores quando o tivemos de ser, fomos fortes naquelas intermináveis e íngremes, sempre íngremes, subidas mas acima de tudo fomos unidos para chegar à meta com 3h42m. Acabava a minha primeira prova de trilhos. Depois de tamanha aventura cheia de sofrimento e força de sacrifício, mas com muito prazer e fantásticas paisagens, era tempo do reconfortante e retemperador, banho gélido e juntar ao repasto todos os amigos mais próximos que ali estavam presentes, O Mário Lima, o Joaquim Adelino e os meus dois grandes companheiros Tandur António e Vítor que apadrinharam a estreia, sem eles de certeza que não tinha sido capaz. Sem as palavras do meu filho e da minha mulher (faltou a minha pequenina Matilde), teria certamente desistido, foram deles as palavras certas de quem melhor me conhece, e só eles sabem como lhes estou eternamente grato por isso.

domingo, 27 de março de 2011

8ºCorrida de Solidariedade ICPSI-APAV

Existem provas que por várias razões nos marcam e se tornam especiais, e existem outras que mesmo sem serem de eleição estão sempre presentes no nosso calendário. A corrida da ISCPSI-APAV é um desses casos. Não é espectacular, não é uma grande prova, mas é suficientemente boa para me fazer voltar todos os anos, muito por causa da cumplicidade, preocupação e dedicação que existe entre a organização e os atletas e na tentativa de fazer passar a mensagem da APAV.
8.ª Corrida ISCPSI-APAV, com um traçado plano e bastante agradável, esta prova de 10km, com início no largo do calvário, começa a ter contornos de prova obrigatória, como tal lá estive a marcar presença pelo segundo ano consecutivo. Cheguei, 20 minutos antes, sem pressa mas entusiasmado com o facto de voltar a estar ali presente para o tiro de partida. Não demorou muito tempo para começar a ver caras conhecidas, os irmãos Hamilton e Fábio Pio Dias (O fotógrafo corredor) lá estavam a marcar presença com a sua amizade e simpatia acompanhados da inseparável máquina fotográfica. Uma foto, um abraço a ambos e até já que as pernas têm de aquecer. Mas aquecimento nem vê-lo porque os amigos Fernanda e Luis Parro estavam logo ali por perto, e claro está que a malta da margem sul tem de confraternizar em vez de aquecer. Ao fim e ao cabo, são estes momentos de amizade antes da corrida que nos aquecem a alma e nos transmitem a vontade de domingo após domingo, prova após prova, voltarmos a marcar encontro por essas estradas de Portugal.
Tiro de partida, e lá vai disto, hora de colocar em prática mais uma semana de afincados treinos de séries entre a cozinha a sala e o quarto. Não sei onde isto vai parar, as semanas são curtas para conseguir encaixar os treinos, mas faltar às provas está, a modos que fora de questão. O primeiro km, rapidamente passou, com um ritmo abaixo dos 4min\km enquanto o pelotão seguia alongado, numa ordem desordeira de ritmos, vontades, ambições e passadas descoordenadas, até ao Cais do Sodré, onde estava colocado o primeiro retorno. Chegado o primeiro retorno entre os 2 e os 3km, notei que ia um pouco rápido demais para o que tinha idealizado, mas também para a preparação que trazia. Abrandei. A cavalgada louca que trazia, foi substituída por um andamento mais ritmado e compassado, procurando poupar as pernas mas ao mesmo tempo ambicionando manter o ritmo o mais forte possível. Nesta altura, fiquei colado a dois atletas adoptando aquela passada defensiva, mas certa, em que seguiam. De tal modo que perto dos 6km, um grupo de 10 atletas quase passa por mim de mota. Olhei para o garmin e o tempo tinha passado para 4m40s\km. Sem pensar duas vezes, acelerarei e juntei-me aos speedy gonzalez´s que tinham acabado de passar.  Aos 7km, o grupo tinha dado duas sacudidelas no ritmo já por si só rápido, ficando reduzido a 6 elementos. Foi nesta altura ao passar na zona da meta, que vi a minha mulher de máquina em punho para tirar o boneco. Sorri um pouco, para ficar bem no retrato. Mas foi no seu sorriso de resposta que parei e que por momentos esqueci a corrida, ficando rendido naquele sorriso e refém daquela mulher que vive a meu lado todos os dias da minha vida. Acordei aos 8km com a “buzinadela” do garmin, marcando 4m05s\km. Dos 8 aos 9Km, nova aceleração e lá se foi o grupo. O último retorno, era o mote para atacar a meta. Recordei o sorriso. A ânsia de um beijo marcou o ritmo, fazendo voar aquele último km num espectacular 3m39s\km.
Cheguei com 42m23s e tive direito ao tão ambicionado beijo e maravilhoso sorriso da mulher que amo. Ainda bem que há dias assim.

Aqui ficam os números:
Tempo Oficial - 42m23s
97º da geral
49º do Escalão
793 Participantes.

segunda-feira, 21 de março de 2011

21.ª Meia-Maratona de Lisboa

Cada um de nós cria expectativas, objectivos ou simplesmente utópicas ambições antes de cada prova. Mas é através do nosso suor e das mil e uma passadas de uma prova que absorvemos o choque ou o sonho de cortar mais uma meta.

Meia Maratona de Lisboa. Uma corrida que para mim já foi um sonho. Sonho esse, que me abalroou a mente dia e noite, até pela primeira vez ter corrido aqueles 21km. Foi aqui que nasceu o corredor de domingo, quando há precisamente um ano corri a minha primeira meia maratona. Um ano passou, a vida continuou e inclusive cheguei mais além do que alguma vez pensei chegar. Mas um ano depois da estreia, a prova bestial passou a besta.
Há precisamente um ano adorei cada passada, escrevi na minha mente cada metro, cada km e gravei no meu ser aquele cortar de mais uma meta. Este ano, detestei! Apenas me apetece esquecer os 21km que ontem corri. Paguei para correr, porque gosto de correr, mas senti-me desrespeitado por querer correr uma meia maratona. A partida foi um caos, com gente da mini na frente de atletas da meia, com empurrões e encontrões simplesmente, porque existe gente, que tal como eu, só queria ir correr. É muito mau ouvir o tiro de partida para uma meia maratona, e ter a minha frente um senhor de bengala a andar. É muito mau ter de andar a saltar separadores centrais, porque existiam autênticos piqueniques que nos impediam de correr. É simplesmente mau a falta de civismo que acabamos por encontrar só porque queremos correr e outros andar. Como é lógico não são estas situações que tiram grandeza a esta magnifica prova, mas são estas contrariedades que ditam a qualidade de uma organização e nos deixam sem vontade de no ano seguinte voltar.

Sem correr há 3 semanas, devido a alguns imprevistos físicos, a minha espectativa para esta prova era apenas rolar para somar km´s e se possível baixar o tempo do ano anterior. Ideia que ao km 5 já estava totalmente ultrapassada. Acabei por fazer uma corrida sem ambição, sem vontade, apenas com a vontade que acabasse depressa.
Depois do tempo perdido na partida, e sem a capacidade física que me permitisse recuperar, fui andando na tentativa de encontrar alguém conhecido com que fazer o resto da prova. Depois de encontrar o Luis “Flash” Mota, antes da partida e de mais tarde o ver passar em sentido contrário a correr atrás dos Quenianos, poucos companheiros acabei por encontrar. Cruzei-me duas vezes com o “primo” Veloso, cumprimentei o grande amigo Fernando Andrade numa altura que tentava alcançar, sem efeitos práticos, o Vitor e se não fosse ter saudado o Enfermeiro Coutinho, tinha ficado por aí o que costuma ser um mar de encontros e reencontros. Tive 3 momentos de corrida, até aos 5 pouco corri, dos 5 aos 15 tentei recuperar e dos 15 até ao fim foi abrandar e gozar a paisagem.
No fim, com 1h45m oficiais, fiquei ainda mais desalentado, quando alguém me tenta “ roubar” um ténis. Incrível, eu de pé no ar a gritar atrás de um tipo que me levava o ténis agarrado ao carrinho de bebé. Por momentos pensei que tinha acabado a minimaratona, não fosse a dor nas pernas me ter despertado para o facto, que o tipo do carrinho é que não devia estar ali. Enfim.

No meio de tanta coisa a correr mal, foi bom ter encontrado familiares que não via há alguns anos, e que vieram propositadamente de Estremoz para fazer a passagem da ponte a pé. Parabéns pela vossa vontade e ambição.

E claro que não posso esquecer do momento que para mim marca a 21.ª Meia Maratona de Lisboa, a minha mãe que nunca na vida tinha calçado uns ténis para correr, treinou afincadamente e efectuou os 7km´s da minimaratona pela primeira vez, recebendo honradamente a sua medalha no final, com um tempo abismal de 2h02m. Para o ano será certamente uma marca a bater. Parabéns “Velhota”.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Corrida da Árvore 2011

Por tradição o domingo é o dia da família, mas curiosamente também é dia de provas, por isso nada melhor que levar a família à corrida. Pela primeira vez, lá estiveram os meus 2 filhotes e a minha mulher, juntos a ver-me partir e a sorrir por me ver chegar à Meta.

Sem grandes ambições para esta prova, e com a equipa novamente desfalcada, eu e o Vitor Veloso lá teríamos de fazer pela vida de modo a honrar o nome Tandur. Estávamos com uma preparação digna de corredor de sofá, o Vitor a recuperar de uma lesão e eu sem treinar praticamente há 2 semanas. Tudo nos levava a crer que iria ser uma manhã difícil, mesmo que a prova fosse sempre a descer.
Chegámos sem tempo nem pressa, mas mesmo assim ainda deu para um abraço ao Luis Parro e à Fernanda, que tal como nós tinham trocado o Sicó pela corrida da árvore. Os dados fornecidos pela organização eram impressionantes, 1200 participantes inscritos quando no ano passado apenas tinham terminado cerca de 600. Equipar à pressa, aquecimento rápido, beijos à família e estava dado o tiro de partida. A multidão começava a rolar e a serpentear pelas estradas de Monsanto, o Pulmão de Lisboa. Os primeiros metros eram adequados à preparação que levávamos, descidas suaves e não muito rápidas devido ao compacto pelotão. Perto do 1km, a primeira dificuldade, uma subida íngreme que parecia nunca mais terminar. Mesmo assim eu e o Vitor lá fomos serpenteando, e ultrapassando alguns corredores mais lentos. Não é que a nossa velocidade fosse muita, mas nesta altura as pernas davam para a aventura. Perto do 2km, senti que ia rápido, rápido demais para aquilo que tinha imaginado para esta prova. Olhei para trás e vi o Vitor uns 10 metros atrás. Chamei por ele, que rapidamente se colou no meu encalço. Mas algo não estava bem. Continuamos naquele louco carrocel de subidas e descidas constantes, num ritmo rápido, sem preocupações dos treinos em falta ou lá o que fosse. Perto do 4km apercebo-me que o Vitor não estava por perto, levava cerca de 20metros de atraso. Abrandei e gritei-lhe novamente. O meu amigo estava em dificuldades. Incentivei, marquei o ritmo, mas o Tandur Veloso estava num mau momento. Vendi-lhe um cubo de marmelada por mais um km no meu encalço até ao abastecimento aos 5km. É certo que ele bem me tentou demover, mas era impossível. Chegado o abastecimento, era tempo das verificações técnicas. Consultei o garmin e hidratei-me o suficiente, sentia-me bem e as pernas estavam a responder melhor do que pensava. Antes dos 6km uma descida longa, onde aproveitei para embalar e ganhar algum tempo perdido nas subidas anteriores, com isso perdi o contacto com o Vitor. O pior da prova chegava agora aos 7,5km, pois dali até ao fim era sempre a subir, com inclinações por vezes na ordem dos 5%.
Nesta altura, eu e outro corredor que desconheço o nome, íamos praticamente no mesmo andamento, numa passada rápida e forte para enfrentar as subidas. Foi nesse andamento que cortei a meta com 43m40s e abracei o meu filhote, eufórico por me ver chegar.


Estava feita a minha primeira corrida da árvore. Corrida que considero difícil, pelas constantes subidas e descidas e que com os treinos que não tenho feito, a tornaram muito mais complicada. Mas a paisagem é verdadeiramente magnifica, e correr neste enorme pulmão da cidade de Lisboa é magistral, calcorreando aquelas estradas serpenteantes pelo meio do denso arvoredo, saboreando o espaço envolvente e respirando o ar mais puro da cidade.


Mesmo assim, os Tandur honraram o nome com duas classificações dentro dos 100 primeiros atletas num conjunto de 1023 que chegaram à meta.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

XII Grande Prémio do Atlântico 2011

Levantar cedo para apanhar frio, Correr à chuva, ser baleado por grãos de areia e ser varrido por vento forte. Não é de maneira nenhuma a melhor manhã de domingo. Mas se juntarmos a isto tudo uma prova de atletismo, perto de casa, com muitos companheiros. Então sim, a manhã de domingo valeu a pena.

Costa da Caparica, 9 e picos da manhã. A dupla Tandur presente em território português chegava com pouca vontade de enfrentar aquele mau tempo, desconhecendo o que ainda estava para vir. O companheiro António Almeida tinha escolhido outras paragens e preparava-se por esta altura para fazer um enorme brilharete na Maratona de Sevilha, a ele os meus muitos parabéns.

A chuva, o frio e o vento ainda ligeiros marcavam a entrega dos dorsais e as pequenas conversas de circunstância para passar o tempo até à partida. Entre trocas de palavras encontrámos o amigo Mário Lima também com pouca vontade de apanhar uma molha, mas agora que já ali estávamos era melhor equipar e dar uma corrida. Tempo ainda antes da partida de rever o Carlos Sequeira e a família Benavente. Ficou por encontrar o amigo Coutinho, dado como desaparecido no meio dos 1500 atletas inscritos à partida. Já equipados e apanhar frio fomos informados que este ano a partida tinha mudado de local, 400 metros ali para o canto. Grande erro da organização. Colocar 1500 atletas num canto de uma curva, não é boa ideia, mas mesmo assim ainda deu para ver o Fábio Dias que generosamente tirou a foto da praxe (Obrigado, companheiro). Mesmo no meio da ordem desordeira que ali se sentia, lá se deu o tiro de partida para que a malta corresse em vez de protestar.


Eu e o Vitor Veloso (Foto de Fábio Pio Dias)

A chuva e o vento forte mesmo sem dorsal, marcavam também presença, sem saber estava a começar a prova com piores condições climatéricas que já corri na vida e acreditem que praticamente em 20 anos de vários desportos federados nunca tinha vivido nada assim. Os primeiros km´s foram feitos aos ziguezagues, passando atletas desconhecidos e saudando os conhecidos ultrapassados. Perto do 2km, o vento começava a ficar mais forte, a chuva acompanhava o vento enquanto eu e o Vítor lá continuávamos a forçar o andamento. Até à Trafaria, perto dos 4 km´s, fomos passando as dificuldades com algum esforço mas acelerando o ritmo, sem saber o que estava para vir. Aos 5km o Vítor começava a sentir dores mais fortes no tornozelo. Gritei-lhe várias vezes para que não ficasse para trás, só gritando conseguíamos falar um com outro por causa do vento e da chuva forte. O pelotão alongava-se agora pela estrada, massacrado pela chuva, mas combatendo o vento. Virámos a caminho do pontão. Passada forte, com convicção, ligeiramente curvados para enganar o vento, mas alinhados e ordeiros como um batalhão invencível a caminho de mais uma batalha. Última curva e damos de cara com o Adamastor, era ali o nosso cabo das tormentas. Fomos literalmente atirados contra os restaurantes, a chuva massacrava, o vento, agora lateral era fortíssimo, a água do mar assaltava o pontão, enquanto a areia da praia nos crivava o corpo. Corria agora inclinado para a minha direita, sentindo a areia a varrer-me o corpo, mal abrindo a boca para respirar. Deixei de ouvir. O meu ouvido direito estava cheio de areia. De olhos semiabertos ia tentado ver o caminho. Sentia-me encurralado pelo mar forte e traiçoeiro a ditar as suas leis contra o imponente pontão. A chuva forte encorajada pelo vento municiado pelo areal tentava levar vencido aquele pelotão de gente audaz. A meio do pontão o atleta à minha frente quase cai e para, gritei-lhe força. Arrependi-me no mesmo momento em que abri a boca para falar. Ele não me ouviu e eu tive direito ao abastecimento “ de areia”. Cerrei os dentes e pensei que a mim o Barrabás não me deitava abaixo. Acreditem ou não, mas acelerarei. Sair do Pontão foi como um respirar de alívio dorido e sofrido. Faltava agora um km para o fim. Quando vi a placa dos 9Km, lembrei-me do amigo Jorge Branco, e recitei na minha mente, uma frase que me fez todo o sentido “É na busca mágica do último quilómetro que todos nós corremos“. Por entre pensamentos, a meta estava a vista, e mesmo com todo aquele mau tempo, acabava com 42m58s, um resultado menos mau tendo em conta os poucos treinos que tenho realizado e pelo simples facto de esta ter sido a minha primeira prova em 2011.


Depois desta loucura, nem imaginam como foi divertido chegar a casa e levar um raspanete do meu filhote, dizendo com ar muito sério que quanto está a chover não se pode ir correr para a praia e que ainda por cima estava a sujar a casa toda de areia, à mãe. Enfim!


Agora só para nós, desta vez o puto tinha razão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

1ºSuper Trail Pirata

Ano Novo, Vida Nova! É algo que todos pensam, mas poucos se atrevem a cumprir. Sair da nossa zona de conforto e arriscar. Sair da rotina e abraçar o desconhecido que nos aventuramos para mais tarde recordar. Para começar o ano, fiz algo diferente. Não foi uma prova, não foi um treino. Foi apenas e só um encontro entre amigos, companheiros e ilustres desconhecidos em torno de algo que nos une, a corrida.

Na última sexta-feira, correu-se o 1ºSuper Trail Pirata dos Amigos do Parque da Paz. Por mais que o nome esclareça, e por mais palavras que o descreva, apenas a vivência nos conseguirá recordar um momento único de corrida. Depois de um dia chuvoso, de mais um dia de trabalho, de mais uma semana cumprida. Parei! Quebrei a rotina e ás 22h estava equipado e de ténis calçados para o 1ºSuper Trail Pirata.


Era um mar de piratas, reza a história que eram 100, mas o número real nunca se soube. Invadiram a cidade de Almada, pela calada da noite com a passada galopante a gritar revolta num terreno que não é seu. Partiram do Parque da Paz os 100 valorosos, calcorreando as calçadas da Cova da Piedade, conquistando ruas e rotundas de território outrora automobilístico. Depois de invadir a Piedade, subiram em direcção a Almada, Tomando de assalto ruas de um empedrado esquecido e poucas vezes sentido por baixo de carros rotineiros. Nem o Metro resistiu à elegância da passada e ao valoroso grupo de guerreiros, fazendo soar a sua campainha quando rendido. Do Mercado até a Cacilhas, era tempo de deixar correr, poupar as forças para contornar o Farol ouvindo o gritar rouco e gasto de um cacilheiro atordoado pelas ondas do Tejo. Seguiu-se o Passeio do Ginjal, cheio de buracos e recantos perdidos num tempo que já não é o seu. Os obstáculos caiam mas os valorosos Piratas guerreiros continuavam, Conquistando. Passaram o Atira-te ao Rio, mas não cumpriram a placa, saudaram o elevador e subiram. Subiram, o Olho de Boi sem mostrar fraqueza, pois faltava conquistar o Rei. Galopantes e insaciáveis, conquistaram ruas e ruelas, subidas e descidas, gentes intrigadas e surpreendidas. De sorriso nos lábios, o povo estava rendido e estupefacto, pela valentia e ousadia. Sem demora, abraçaram o Rei. Que de costas voltadas, se rendia sem ser capaz de olhar nos olhos os 100 valorosos Piratas. Estava feita História. Depois das conquistas era tempo do regresso dos valorosos, ao seu mundo, ao seu Parque envolto em Paz. Os 100 correram de volta iluminando a escuridão, saudando a sua terra e a natureza que os envolvia. Contam os livros e as lendas dos históricos piratas, que Almada nunca mais foi, nem nunca mais será a mesma, pela maneira como ficou rendida a tamanha valentia.

Os Tandur Piratas ( António Almeida, Filipe Fidalgo, Vitor Veloso), Mário Lima e José Carlos "Capitão Gancho" Melo.


A todos estes Piratas de quem reza a história, Um grande abraço e até às próximas conquistas.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

São Silvestre de Lisboa 2010

Escrevo. Apago. Volto a escrever. Volto a apagar. Não pensem que não sei o que escrever. A mente divaga pelas suaves recordações de mais uma prova. Desta vez, foi diferente. Não foi mais uma, nem a melhor de todas. Não foi “A Prova”, foi apenas e só aquela que corri no dia certo, na altura ideal com uma companhia fenomenal! Obrigado Tandur´s.



Eu e o Vítor fizemos desta São Silvestre uma excepção à regra em todos os aspectos. Partimos de Cacilhas num dos velhinhos Cacilheiros, atravessando um Tejo, calmo e expectante na recepção a muitos corredores de domingo para mais uma São Silvestre. Como é diferente voltar a atravessar o Tejo, num baloiçar constante que nos aconchega tranquilamente entre Almada e Lisboa. Sentimos o rio, as suas histórias e as suas gentes, ao mesmo tempo que as colinas nos abraçam e acolhem naquela Lisboa, saudosa e apaixonante que muitas vezes esquecemos. Do Cais do Sodré à Praça do Comércio foi um pulo, mas depois de entrar naquela Praça Pombalina, saltamos de orgulho pela enorme e magnífica sala de visitas que acolheu todos aqueles que esqueceram o frio e vieram para a rua correr esta excelente prova.


Os 3 Tandur

Cedo encontrámos a Isabel e a pequena, mas já medalhada atleta, Vitória Almeida. Entre saudações e cumprimentos combinamos novo encontro já mais perto da hora de partida, e fomos conhecer os cantos à casa e procurar o bengaleiro, serviço gratuito disponibilizado pela organização que na minha opinião é uma verdadeira mais valia para qualquer prova. Pelo caminho, um grande abraço ao Carlos Cerqueira que estava com a corda toda para baixar dos 40min.. Mochila entregue e os atletas prontos de regresso à zona da partida, era tempo de juntar os Tandur para a foto da praxe e surpreender o António Almeida com ideia de fazermos a corrida sempre lado a lado. Tudo a postos e tiro de partida, para as senhoras, que os homens tinham de esperar mais um pouco. Agora sim, tiro de partida e lá partimos os três Tandur, lado a lado, para calcorrear as lindíssimas ruas de Lisboa, abrilhantadas pelas suas iluminações de Natal.


A primeira volta passou num ápice, a conversa animada marcava o ritmo da corrida de tal modo, que nem o abastecimento vimos. Entre gargalhadas ainda tivemos tempo para mais uma foto a três, tirada pela Isabel Almeida. Depois, a magnifica subida para o Marquês. A Avenida da Liberdade era um mar de atletas, cercados por uma moldura humana incansável e pelas excelentes decorações de natal que criavam um ambiente bastante sui generis para uma corrida nocturna. Chegados ao ponto mais alto da prova, era tempo de descer, de volta ao rio, agora num passo acelerado mas de olhos postos no lado contrário para cumprimentar os companheiros e amigos que ainda subiam a avenida. No meio da distracção, nem víamos o Fernando Andrade, que passava por nós num ritmo alucinante, era a vantagem de treinar nas Lampas que vinha ao de cima. Mas os Tandur não podiam deixar um amigo ir sozinho, gentilmente, fizemos uma guarda Tanduriana ao amigo Fernando até à meta para todos juntos lado a lado terminarmos a Magnifica São Silvestre de Lisboa 2010.

O Photo Finish!


Para engrandecer ainda mais a noite, depois de terminarmos todos juntos, sou surpreendido por uma simpática senhora, que de microfone na mão queria fazer uma entrevista a alguém da nossa equipa, pela excelente demonstração de amizade e companheirismo que tínhamos tido ao cortar a meta. Era mais uma oportunidade de elevar bem alto o nome TANDUR.
Terminada a prova e a nossa festa, era tempo de regressar ao aconchego da família, novamente de modo diferente, não de carro, mas de Metro e Fertagus que estava muito frio para ir de cacilheiro.



Depois de correr a São Silvestre de Lisboa, pela primeira vez, fiquei com a pequena, grande impressão, que para o ano voltarei. Voltarei com enorme prazer, para uma prova que me marcou pelas enormes excepções à regra em relação às corridas que por cá se fazem.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Saudades do Alcatrão!

Depois de falhar a Maratona de Lisboa, devido a um enorme reboliço de incidências, a motivação começa a perder terreno para a preguiça. Duas semanas, sem calçar os ténis para correr, com 1h30 apenas de fitness training, o treino de hoje iria parecer longo, muito longo. ~

8H da matina, dois Tandur´s (eu e o Vítor Veloso), sincronizávamos os garrmin´s para um treino calmo de 2horas para matar a preguiça e desenferrujar os ténis.

Saímos da Cruz de Pau com um tempo gélido a caminho da Fonte da Telha, passada tranquila com muita conversa à mistura e poucos carros a estorvar. Ambos precisávamos de um treino ligeiro, para superar as duas últimas semana carregadas de situações anómalas. Os amigos são assim, correm lado a lado para se ajudarem nos momentos menos bons e comemorarem os momentos importantes.
O frio da manhã teimava, mas os tandur´s rolavam na mesma sem ligar ao tempo ou ao espaço. Apenas o mundo da corrida nos absorvia, por entre palavras de aventuras corredoras passadas mas não esquecidas. Foi assim que rolámos até perto dos 8km´s para o primeiro abastecimento no parque desportivo da Verdizela. Dali até à fonte da Telha foi um ápice, apenas perturbado por alguns cães irritados ou surpresos por verem aquelas duas almas a calcar o alcatrão humedecido pela cacimba nocturna. Foi meia volta e volver, de regresso pelas mesmas estradas anteriormente percorridas. A conversa mudava agora do passado recente para um futuro próximo, agendado aqui e ali mais uma corrida, mais uma prova ou simplesmente mais um treino. Aos 16km´s mais um abastecimento, novamente na Verdizela.
De volta até à Cruz de Pau, agora num ritmo mais rápido e forte, ignorando as primeiras dores musculares, esquecendo os treinos perdidos e a afugentando de vez a preguiça em busca daquela motivação que só a corrida nos transmite.

Bom treino, 24km em 1h53m, sem stress, deixando apenas rolar o alcatrão por baixo dos pés, e com um bom amigo e dois dedos de conversa por companhia.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

7.ª Maratona do Porto


9Horas da manhã de Sábado e 2 autocarros a transbordar coragem, esperança, sonhos e aventura partiriam a caminho daquela que este ano se consagrou, indiscutivelmente, como a melhor maratona do País, a Maratona do Porto.

Depois da viagem sem problemas, o Palácio de Cristal e a feira da Maratona, acolhiam-nos. Levantamento dos Dorsais e aquela que julgo ter sido a única falha da organização, acontece. Um erro de listagens colocava dois companheiros e amigos temporariamente fora da corrida. Mas pior que isso só a primeira abordagem errada e grosseira por parte de um elemento ligado à organização, mais preocupado em fazer valer os créditos do que resolver o problema do atleta, afastava o amigo António Almeida da corrida, por decisão própria mas honrada. Chegados ao Hotel, e graças à excelente organização da incansável Ana Pereira, tínhamos ainda umas quantas horas para descansar antes do jantar. Para muitos a véspera da prova deve ser passada de pernas esticadas num qualquer sofá para não gastar energia, mas para mim nada melhor que um jantar na Invicta com um casal amigo para sobrecarregar as baterias de boa disposição e energia positiva. Foi um prazer jantar com a Joana e o Hugo e sentir que também eles acreditavam no meu sucesso nesta maratona, a eles o meu muito obrigado pela simpatia e amizade, e faço votos que o futuro lhes seja risonho, muito risonho.

6h30 da manhã de domingo e era hora do pequeno-almoço dos campeões. Que sorte tiveram os Quenianos e outras estrelas de tomar o pequeno-almoço lado a lado com os TANDUR, como os invejo! Depois deste valente repasto era tempo de equipar, mandar os beijinhos telefónicos à família e arrancar para o autocarro VIP que nos levaria à partida. Chegar cedo à partida dá tempo para tudo, beber um cafezito e ver os amigos e companheiros da blogosfera, o Luís Parro e a esposa, o Luís Mota e a família, Rui Pena, João Paixão, Carlos Melo, Vasco, Brito, o Joaquim Adelino o Fernando Andrade e tantos outros que partilham o gosto pela corrida.

Faltavam dez minutos apenas, quando ouvi ao telemóvel o meu filho Tiago desejar-me boa sorte. Moral em alta. Mais um toque e agora um MMS da Família numa foto sorridente. Fiquei a transbordar moral. Um abraço ao “primo” Vitor Veloso e vamos à nossa estreia na Maratona.
Os primeiros 10km´s voaram a serpentear pelas ruas do Porto até chegar à Foz, com a sua vista deslumbrante. Nesta altura eu e o Vitor alcançamos o VIP Fernando Andrade. Sabia que não estava preparado para ir com o Vitor até ao fim, ele está numa grande forma e eu com poucos km´s nas pernas para o acompanhar, decidi ficar com o Fernando Andrade, e em boa hora o fiz. Imaginem-se a correr a vossa primeira maratona, sabem que os treinos foram poucos, que não tem experiência a correr estas distâncias, e têm a sorte de ficar lado a lado com um atleta que leva quase 40 maratonas no currículo. É a pessoa certa para nos ensinar o B A BÁ da maratona e nos ajudar a concluir um sonho.

A presença do “Mestre” Fernando Andrade e a paisagem magnífica do Douro na sua chegada à foz, fizeram-me sentir um privilegiado aprendiz. É deslumbrante correr ali, absorvendo a
paisagem, vendo o rio correr com as suas águas cheias de vontade em chegar ao mar. Passar a ponte D. Luís e disfrutar de cada passada, naquela calçada cheia de histórias de outros tempos.
Ao chegar à Afurada a comitiva de apoio aos Tandur, reforçada pelo António Almeida, ali estava para nos saudar. Eu e o Fernando Andrade esboçamos o sorriso e lá ficamos na foto da Isabel Almeida. O clã Veloso também teve direito ao adeus e até já, pois ainda tínhamos de voltar. Passámos a meia maratona com 1h38m, demasiado rápido. O Fernando bem disse nesta altura, “veremos senão vamos pagar a ousadia mais lá para o fim”, pois o objectivo era passar em 1h45m.Já depois do primeiro retorno e de volta ao Porto, voltamos a ser apanhados pela objectiva da Isabel no meio de mais uns rápidos acenos e palavras de força.

Segunda passagem na ponte D. Luís e viramos para o freixo onde estava o último retorno perto dos 29km´s. A paisagem continuava lá, magnífica e deslumbrante. Nesta altura cruzava o Vitor do outro lado, rápido e fresco como uma alface. 30km´s e abastecimento, faltavam doze para o sonho. Em sentido contrário vinha o Adelino que saudámos efusivamente. Depois dos 32 km´s, sentia-me bem e após uma breve troca de palavras com o Fernando, aconselha-me a ir com uma senhora carregada de maratonas de nome Margarida Pinto. Corria agora embalado na letra da canção de Rui Veloso, da ribeira até à foz. Só que como não sabia o resto da letra também não consegui antever o terrível vento forte e frontal a partir dos 37km´s que literalmente parecia uma parede, lembrei-me nesta altura daquelas muitas histórias que se contam sobre a parede dos 30km´s. No Porto a parede não é aos 30 mas sim aos 37. Já perto dos 39kms e depois de já não conseguir acompanhar o ritmo da Margarida, que em muito me incentivou para que continuasse, uma primeira cãibra. Respirei fundo e pensei, “caramba só faltam 3 km´s, aguenta-te”. Ainda não tinha acabado o raciocínio e uma segunda cãibra obriga-me a coxear, pensei rápido, “não pares continua”, mordi o lábio e continuei, mais 100 metros. À terceira cãibra foi de vez, parei. Tentei alongar mas não conseguia, sentei-me. Estiquei as pernas e rapidamente um elemento da organização me perguntou se estava bem, respondi-lhe que estava melhor se tivesse trazido dinheiro para o táxi, mas enfim.

Fechei os olhos e pensei no que já tinha feito, na minha mulher e nos meus dois filhos, ansiava nesta altura por uma cara conhecida. Olhei um pouco para trás e vinha lá o Fernando Andrade, respirei fundo e levantei-me lentamente, erguendo a carcaça cheia de mossas mas com a convicção que podia ir com ele. Surpreso por me ver ali, logo me dirigiu as palavras que me levariam à meta: “Filipe, agora nem seja de gatas, mas isto é para acabar”. Corri novamente ao lado do Fernando mais 500 metros, mas não dava. E voltei a parar. A família não me saía do pensamento, as palavras do Fernando ecoavam-me na cabeça. Bebi um pouco de água, sem saber como ou porquê levantei-me e corri. Vejo a placa dos 40km´s e mais uma cãibra, “aguenta-te”. Vejo o João Paixão e saúdo-o muito vagamente. Mais 200 metros e outra cãibra, “aguenta-te à bronca”. Começava a subida até à meta e todo torcido lá segui. 41km´s, montes de gente na berma da estrada saudava e incentivava aqueles loucos desconhecidos gritando os nomes que liam nos dorsais. A 400 metros da meta nova cãibra, desta feita mais violenta. Parei, sentei-me e num gesto rápido e sincronizado alonguei os músculos com toda a força, sorri. Um desconhecido aborda-me e lendo o meu nome no dorsal diz-me que a meta é já a li, levantei a cabeça e vejo a medalha que trazia ao pescoço por ter terminado a prova. Olhei para ele e respondi-lhe que se davam uma chapa daquelas no fim tinha me despachar para que não acabassem. Levantei-me novamente e corri até ao fim, sem cãibras, mas com um sorriso nos lábios para ficar bem no photo finish.

3h40m33s, SOU MARATONISTA. Recebo a medalha, o saco e o telemóvel toca, pensei, é a minha mulher. Errado! Era o Vitor Veloso, com uma grande energia a dizer para correr que o autocarro para o hotel ia partir.” És louco companheiro correr agora, nem ao pau com os ursos”. Mas lá fomos a festejar como duas crianças em direcção ao autocarro por termos concluído uma maratona. O autocarro começa a andar e diz novamente o Vitor, “saltamos a grade porque senão não o apanhamos”. Saltar!? A grade!? Os maratonistas não saltam e eu vou à volta que não aguento as pernas.

Resumindo, agradeço a todos aqueles que acreditaram no meu sonho e me ajudaram a alcança-lo, aos Tandur Vitor Veloso e António Almeida e respectivas famílias, ao acidental padrinho da minha primeira maratona Fernando Andrade, ao amigo Joaquim Adelino e claro à mulher da minha vida e os meus maravilhosos filhos que sofreram pela minha ausência na busca de um sonho.

domingo, 31 de outubro de 2010

Grande Prémio do CR da Cruz de Pau

Uma semana depois dos 20km´s de Almeirim, e da decisão de última hora de não participar na corrida do Tejo, O Grande Prémio do CR Cruz de Pau passava a ganhar contornos de extrema importância tendo em vista o analisar da minha condição física para a Maratona do Porto.

Apesar de em Almeirim ter ficado aquém das minhas expectativas e de literalmente me ter arrastado os últimos 6km atrás do Vitor Veloso, o tempo de 1h29m22s acabou por ser aceitável. Com a má prova e o regresso das dores no pé direito, no final do dia, tomava em família a decisão de não participar no que seria a minha 1.ª Corrida do Tejo. Uma semana após todas estas peripécias, o GP do CRCP tornava-se uma prova obrigatória para último teste antes do sonho de correr uma Maratona.

Depois de uma noite ventosa e chuvosa, o dia amanheceu com um sol tímido, mas por vezes matreiro fintando as vastas nuvens que cobriam o céu. Às 9h uma beijo à mulher da minha vida, dois aos filhotes e uma festa à cadela marcavam a saída de casa para uma prova ao princípio da rua. Prova esta especial, por ser organizada por um Clube que nutro grande simpatia e por ser o regresso a uma casa onde já fui muito feliz. Foi no CRCP que me tornei treinador e fora os muitos títulos que ali ganhei em pouco mais de 3 épocas, ajudei a criar uma geração de Hoquistas de Elite, várias vezes internacionais e campeões nacionais, sendo curiosamente o expoente máximo dessa geração a minha irmã Cláudia Fidalgo, várias vezes eleita a melhor jogadora Nacional e actual capitã da nossa selecção Nacional. Depois da nostalgia que venha a prova.

Prova de supostos 13000 metros, pois o garmin no fim marcava 14.260 metros, com algumas lacunas na organização que serão certamente corrigidas em futuras edições. Antes da partida deu para saudar “velhos” e “novos” amigos, entre os quais a Ana Pereira (um prazer conhece-la finalmente), o Fábio Ramos e tantos outros a quem deixo um grande abraço. Depois de um rápido aquecimento, a partida cheia de peripécias. Tudo pronto para a corrida, a multidão impaciente mas o tiro tardava, a moto da PSP que iria bater o caminho, não arrancava, a chuva começava a cair mais forte e logo de seguida a buzina que marcaria a largada estava rouca de tanto frio, hilariante.

Logo cedo encontro o Nascimento que fez questão de vir correr à “minha terra”. Trocamos breves palavras e lá fomos num ritmo forte. Aos 3km decidi baixar um pouco o ritmo, passando a rolar conjuntamente com um grupo de 3 atletas em 4m10s a caminho da Verdizela onde estaria o ambicionado retorno. Os primeiros km´s “voaram” sem conversas, sem gestos ou palavras, apenas o som ritmado daquele mar de gente que enchia a estrada, abstraída do mundo, absorvendo apenas a corrida numa manhã de Domingo. Já perto do retorno sou “abalroado” por um grito que trás o meu nome, não descodifico o ciclista obscuro que na faixa contrária gritara, contínuo. Recebo a fita, faço o retorno e recolho a água no abastecimento. 500 metros à frente, o ciclista continuava lá, parado, aguardando a minha passagem. Lado a lado com o ciclista obscuro, que agora reconheço facilmente, José Baptista, um grande amigo, companheiro e mentor na minha aventura como treinador de hóquei em Campo, percorremos alguns km´s em amena cavaqueira, trocando conversas vãs, para colocar em dia as palavras que os anos atrasaram. Só faltou parar para lhe dar um grande abraço.

Estava na hora do último esforço, o garmin apitava 12km´s, mas como conhecedor daquelas estradas, percebi facilmente que era um pouco mais, mesmo assim acelerei. Ao entrar no último km, um furo, ou melhor um ténis desapertado, que em nada mudou a estratégia de forçar o andamento. Cheguei à meta com 54m41s, 33.º no escalão. Depois disto foi abraçar os meus pais e correr novamente, desta vez para casa porque as saudades dos pequenos já apertavam.

Falta agora uma semana para o sonho de correr uma maratona.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

13ºMeia Maratona Ribeirinha da Moita

Depois desta edição, a Meia Maratona Ribeirinha da Moita será sempre uma corrida para marcar presença.

Os 3 Tandur, marcaram presença em mais uma prova, desta feita na 13ºEdição da Meia Maratona Ribeirinha da Moita. Chegamos á Moita e já a procissão ia no adro, pois com tantos atletas por ali em aquecimento, mais parecia que a prova tinha começado. Recolhemos os dorsais, um aquecimento rápido, mas com tempo para saudar o grande vencedor do I Trail Terras do Grande Lago, Luis Mota e a sua família, e claro posar lado a lado para a foto com o Campeão. O que pareciam ser breves momentos antes da prova, tornaram-se numa odisseia de encontros e saudações de amigos e familiares. Por entre cumprimentos ao Joaquim Adelino, é sempre um prazer ver este grande amigo, à malta do CRCP, entre outros, chegava a altura de ter uma grande surpresa os meus pais e meu tio António Fidalgo, marcavam presença. Foi por entre fotos e calorosos abraços que suou o Tiro de Partida. Eu e o Vitor, como já vem sendo regra, ouvimos o tiro e abalamos numa correria desenfreada a serpentear por entre outros corredores, galgando metros atrás de metros para fugir da confusão inicial. Já o António no seu ritmo Maratonista, partindo sempre tranquilo vai-se rindo da loucura destes dois tandur´s . Cedo encontrámos o ritmo pretendido, com o Vitor e o seu garmin em constante sincronismo para que tudo corresse pelo melhor. As nossas corridas são um misto de palavras curtas e frases rápidas interpoladas por briefing´s constantes do Vitor informando o ritmo. O Pelotão alongado já não deixava ver o principio e o fim de toda aquela rebelião que corria incansavelmente em busca da meta. A passagem de todos os km´s era assinalada sempre por placas bem visíveis e por uma sinfonia garminiana, de apitos saídos do pulso de cada um que palmilhava aquela estrada. Até ao primeiro abastecimento, só dei conta de uma pequena subida, pois foi tudo tão rápido, certo, compassado e organizado que os km´s voaram sem que me apercebesse.
Pouco após este abastecimento os sentidos da corrida faziam-se lado a lado, dando para saudar o António Almeida e depois o Joaquim Adelino, que vinham nesta altura um pouco mais para trás. Aos 10km, após algumas pequenas trocas de palavras com o Vitor, decidi meter mais lenha na fornalha já quente pelos primeiros km´s e acelarei descolando do “primo” Tandur e alcançando o Augusto Cruz que conhecera na Meia das Lampas. O Augusto é um corredor de outros andamentos, que a sua aposta na participação da Meia Maratona de Nova Iorque deste ano seja um verdadeiro sucesso. Aproveitei a experiência e o andamento do Augusto para com ele percorrer lado a lado os 8km´s seguintes.
Na passagem pela Moita aos 12km´s

Passámos na zona da chegada, com um bom ritmo, mas dando sempre tempo para saudar a Carolina e a Isabel Almeida, os meus pais e o meu tio com um pequeno aceno e um até já. Foi realmente um ganho enorme ter percorrido estes poucos mas longos km´s com o Augusto numa amena partilha de experiências, conselhos e mais tarde incentivos quando o vi abalar estrada fora, sem ter pernas para o acompanhar.
O pior abateu-se sobre mim já perto do km 18, já sem forças para acompanhar o andamento imposto pelo Augusto, fiquei resignado e literalmente pregado a olhar para a longa subida que se avizinhava. Subi em dificuldades, mas com a ideia que ainda tinha uma réstia de forças dentro mim para o último km. Perto da descida para a meta, ouço o amigo Fábio Ramos do CRCP saudar-me velozmente enquanto passava em passo acelerado. Demorei um pouco a reagir. Lentamente o corpo moído e dilacerado pelos velozes km´s percorridos, cedeu. O espirito ganhava a batalha pelo último km, tal como Siddartha Gautama um dia suprimiu o ser á vontade da mente. Como que acordei bofeteado pelo vento, sacudido pelo asfalto e empurrado pela vontade de chegar.

À chegada a confirmar o tempo.

Cheguei com 1h33m06s, 2 minutos menos que o meu anterior melhor tempo na distância. Respirei fundo e interiorizei o momento. Era tempo de saúdar o Fábio Ramos e o João Lourenço do CRCP, e agradecer ao Augusto Cruz a ajuda nesta prova. Abracei os meus Pais e o meu tio, e recebi a magnifica chamada da minha Maravilhosa Esposa e Filhos a comemorar comigo esta vitória pessoal e a conquista de um novo PR na distância.

Como diria o meu filhote, Vitória, Vitória acabou-se a história..….em Almeirim há mais.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Da Chegada à Partida!

Domingo foi dia de baptismo. Marcaram presença perto de 17 mil na festa, mas os Tandur é que apadrinharam um companheiro na sua primeira meia-maratona. Parabéns ao Alberto Coutinho pela estreia na distância e com uma marca de se lhe tirar o chapéu, 1H42m53s bem “chipados” nos ténis.

Alberto Coutinho e Eu ainda a frio

Eu e o Coutinho, chegámos cedo ao Parque das Nações com o objectivo de evitar a confusão e de o ajudar a preparar ao máximo a partida para a sua primeira meia-maratona. Às 9:10 já estávamos em cima do tabuleiro da ponte Vasco da Gama, a disfrutar de uma vista maravilhosa sobre o Tejo, sobre Lisboa e a Margem Sul. Como brinde tinhamos o vento bastante fresco que obrigava a um constante movimento para não congelar. Aos poucos os amarelos da Carris, tal como formigas no carreiro, iam chegando com atletas à zona de partida, empolgando o espírito festivo que já se fazia sentir nesta altura.
À espera do Tiro de Partida

Cedo encontrámos o meu grande amigo Mário Lima, dono de um espírito de fazer inveja, e de uma contagiante boa disposição. Corrida sem a presença do Mário Lima não é corrida. Começavam a chegar os companheiros da Blogosfera, o Carlos Coelho, a Ana Paula (foi um prazer conhecê-la pessoalmente), o Hamilton, o Fábio, e finalmente os “originais” TANDUR, Vitor Veloso e António Almeida. O sol já alto, o calor humano das amizades corredoras e a adrenalina de mais uma prova, aqueciam o ambiente outrora gélido. 10H30m e o tiro de partida era dado. Suponho eu, porque sinceramente não o ouvi, só vi a malta a correr. Esbocei um pequeno sorriso ao lembrar-me de uma corrida recente em que o Mário e o Vitor tinham passado pelo mesmo, tiro nem vê-lo ou ouvi-lo. Começava a Prova, eu e o Vitor tal como despertos pelo arranque, serpenteávamos pelo meio daquela confusão inicial de atletas que se aos 100metros já não correm como querem fazer 21k?! Primeiro km e avançámos rápido, saudámos o Fábio e a Analice, durante as velozes ultrapassagens. Ao terceiro quilometro, surpresa, primeiro abastecimento, eu e o Vitor olhámos desconfiados, mas não recusámos a oferta. Ao Km 5 continuávamos a rolar perto dos 4min, e o Vitor com mais bom senso que eu, abrandou o passo ficando um pouco sozinho. Sabia que para atingir o tempo que ambicionava tinha de continuar forte, e sendo assim lá fui, numa passada rápida palmilhando o alcatrão e sedento de km´s depois de uma semana sem treinos. Ao km 7 uma outra cara conhecida, o João Lourenço do CRCP. Umas semanas antes tinhamos feito lado a lado a maior parte da corrida do Avante. Trocamos umas breves saudações e sem grandes conversas lá fomos andando numa passada ritmada pelo impacto quase silencioso dos ténis na estrada. Correr estas provas junto ao Tejo, têm sempre um sabor especial para mim, pois cresci a ver o rio e é através dele que escrevo e guardo as minhas melhores corridas. Pouco depois de Santa Apolónia, o ambicionado retorno. Aquele ponto que nos transfere a mente para a chegada e o cavalgante coração nos catapulta o corpo até ao ambicionado cortar de mais uma meta. Era tempo de rever aqueles que tinham ficado um pouco para trás, olhá-los nos olhos e gritar-lhes pela força que os empurra para os restantes km´s. Pouco tempo após o retorno cruzava-me com o Vitor. Ia numa passada forte e com a ambição guerreira que o caracteriza espelhada no rosto. Gritámos Tandur bem alto para animar e lá fomos seguindo o destino. De seguida o estreante Coutinho, com um enorme sorriso e com uma enorme frescura para quem estava na primeira meia maratona. Um pouco mais atrás vinha o amigão Mário Lima, que ao gritar o meu nome bem alto me fez trocar a respiração certinha e controlada, por uma enorme gargalhada e um efusivo aceno. Eu e o João continuávamos lado a lado a derrubar km atrás de km, enquanto o pelotão em sentido contrário ia ficando reduzido. Subitamente, lembrei-me que não tinha visto o António Almeida, o maior deles todos e não o vira, num misto de preocupação e ânsia de chegar, obriguei-me a pensar que só tinha uma hipótese, simplesmente não o tinha visto, pois sei bem que um Tandur não desiste. Entre pensamentos e algumas trocas de breves palavras com o João Lourenço, estávamos a entrar no último Km e pelo relógio oficial a 1h e 35m estava a dois minutos de distância, quando me lembrei que o que contava era o Chip, gritei bem alto: Ainda dá! E desatei a correr como o Diabo foge da cruz, o João riu-se e seguiu-me as pisadas. Chegámos finalmente à palavra META com 1h36m33s. Apesar da boa prova que tinha feito senti que tinha falhado o meu objectivo por pouco, sentimento que ainda se tornaria ainda mais cruel com o chip a marcar 1h35m06s.
Os Tandur e o Estreante
(António Almeida, Filipe Fidalgo, Alberto Coutinho e Vitor Veloso)
Foi bom de ver chegar os amigos e no fim com eles festejar os objectivos conquistados num clima de euforia, onde por surpresa um homem do Norte, o triatleta Rui Pena, marcaria presença para com ele trocarmos um grande abraço.
Depois desta animada chegada, ficaria para mim marcada uma partida. A avó da minha esposa partiu hoje para uma nova corrida, esta sem retorno, mas certamente para um lugar que será sempre seu nos nossos corações.
Que os Anjos corram a seu lado Laurinda de Jesus, até sempre.

domingo, 12 de setembro de 2010

Um fim-de-Semana de Estreias!

Quando conhecemos o nosso trilho, ou temos a certeza de qual o caminho que pretendemos percorrer, basta calçar os ténis e dar um nó na força de vontade. Creio que é esta a conclusão que se pode tirar da MEIA de São João das Lampas, na minha opinião a rainha das Meias Maratonas, pela sua dureza mas também pelos seus anos de existência.



É tudo a estrear! É o que posso apregoar deste fim-de-semana de estreias desportivas. Primeira vez da Meia das Lampas e primeira prova pela equipa TANDUR serviram de mote para mais uma meia maratona, no meu caso a 3º deste ano, depois da Meia da Ponte e da Meia da Areia. Antes de falar da prova, gostaria de agradecer ao Vitor Veloso e ao António Almeida não só o convite para incorporar a equipa TANDUR mas também por me fazerem sentir parte da sua maravilhosa família, ou melhor dizendo do seu “Staff Desportivo”, a todos eles o meu mais sincero agradecimento.
16H e “aterrávamos” nas Lampas, para recolher dorsais, saudar os “velhos” amigos, e cumprimentar “novos” companheiros. A minha primeira imagem ao chegar às Lampas, foi a de um verdadeiro arraial desportivo, com inúmeros atletas já no aquecimento, outros em amena cavaqueira, isto tudo com música e animação no espaço envolvente à partida. Espectáculo! Estes largos minutos antes da partida, é que fazem a família da blogosfera Corredora ser diferente, são momentos de uma simplicidade e simpatia envolvente que nos absorve e assoberba a alma. Foi óptimo reencontrar o Joaquim Adelino e o Mário Lima, que ao saberem da minha estreia na prova se desdobraram em dicas, ajudas e conselhos para que a estreia corresse da melhor forma. Foi um prazer conhecer pessoalmente a Susana Adelino, oito dias depois de ter conhecido o seu marido Daniel, a eles votos de muitas felicidades para a corrida de nove meses que agora percorrem. Feitos os cumprimentos e abraços, eis que a “treinadora” Isabel Almeida, anuncia a hora do aquecimento, estava na hora de preparar o início da corrida, parecia-mos estrelas, no meio de tantas fotos, tiradas pelas fotógrafas de renome Ruth Veloso e Isabel Almeida (“ex-treinadora”). As magníficas cheerleaders Vitória e Carolina apoiavam os papás afincadamente. Nem imaginam como são fantásticos estes momentos antes da partida. Tudo a postos e o nosso amigo e director da prova Fernando Andrade, dava o tiro para as famosas Rampas.



Eu e o Vitor logo cedo encontramos o nosso ritmo, e fomos deixando o António Almeida, com muita pena nossa, um pouco para trás. 1km em 4mins e estava concluída a volta de cortesia, a seguir era sair de São João das Lampas. Uma descida muito inclinada de aproximadamente 1km, era o aviso para o que iriamos encontrar durante a prova, um autêntico carrossel, de sobe e desce constante, com subidas longas e íngremes, muito íngremes, obrigando a alterações de ritmo constante. Até aos 5 km´s fomos andando e rebocando alguns atletas que teimosamente se mantinham atrás de nós, aproveitando o ritmo imposto e a barreira que íamos fazendo ao vento que soprava de frente com alguma intensidade. Depois do primeiro abastecimento a mais difícil das subidas obrigava a abrandar o ritmo para 5m35s\Km, mas esta dificuldade mostrou-nos que estávamos bem e no ritmo certo. Nas várias aldeias que passávamos a população saudava vivamente a corrida, brindando com alguns chuveiros à beira da estrada os atletas que prontamente agradeciam a generosidade.



Chegávamos aos 10km e nesta altura o Vitor parecia estar a passar um momento menos bom, mas o homem tem força que nunca mais acaba e depois da Bomba (leia-se Gel), estávamos de volta à luta, e aos reboques, pois já trazíamos mais 2 penduras. Perto dos treze, a passagem pela zona da chegada, trouxe a motivação e força necessárias, para uma grande parte final. No abastecimento dos 15 Km, traçamos a última estratégia, depois da última subida forçamos o ritmo, e assim foi. Aos 17 Km a última dificuldade deixava muitos atletas que circulavam à nossa frente, literalmente parados ou a andar, que curiosamente quando nos viam passar os dois num ritmo certinho e lado a lado, depressa se “colavam” à boleia. No fim da subida já iam alguns 6 lá atrás, todos contentes da vida. Aproveitando o ritmo forte que um atleta vindo de trás trazia, descolámos do grupo e nunca mais nos viram, pois até ao fim o ritmo foi forte, muito forte, baixando para uma média, por vezes abaixo dos 4m00s\Km. A chegada estava à vista e aquela recta da meta, magistral, com a foto de chegada a marcar 1h43m23s.


Em resumo a equipa TANDUR fez uma boa prova com o 24ºlugar por equipas em 37 contabilizadas. A Prova é Espectacular, a Organização do melhor que já vi. Ao amigo Fernando Andrade um grande abraço e muitos Parabéns pela Excelência da prova, que para o ano certamente será local de presença obrigatória. Uma nota de registo apenas aos apoios institucionais que na minha humilde opinião só ficam a perder ao não patrocinar esta magnífica prova feita por atletas para atletas, pois isso creio que diz tudo e faz toda a diferença.