domingo, 31 de outubro de 2010

Grande Prémio do CR da Cruz de Pau

Uma semana depois dos 20km´s de Almeirim, e da decisão de última hora de não participar na corrida do Tejo, O Grande Prémio do CR Cruz de Pau passava a ganhar contornos de extrema importância tendo em vista o analisar da minha condição física para a Maratona do Porto.

Apesar de em Almeirim ter ficado aquém das minhas expectativas e de literalmente me ter arrastado os últimos 6km atrás do Vitor Veloso, o tempo de 1h29m22s acabou por ser aceitável. Com a má prova e o regresso das dores no pé direito, no final do dia, tomava em família a decisão de não participar no que seria a minha 1.ª Corrida do Tejo. Uma semana após todas estas peripécias, o GP do CRCP tornava-se uma prova obrigatória para último teste antes do sonho de correr uma Maratona.

Depois de uma noite ventosa e chuvosa, o dia amanheceu com um sol tímido, mas por vezes matreiro fintando as vastas nuvens que cobriam o céu. Às 9h uma beijo à mulher da minha vida, dois aos filhotes e uma festa à cadela marcavam a saída de casa para uma prova ao princípio da rua. Prova esta especial, por ser organizada por um Clube que nutro grande simpatia e por ser o regresso a uma casa onde já fui muito feliz. Foi no CRCP que me tornei treinador e fora os muitos títulos que ali ganhei em pouco mais de 3 épocas, ajudei a criar uma geração de Hoquistas de Elite, várias vezes internacionais e campeões nacionais, sendo curiosamente o expoente máximo dessa geração a minha irmã Cláudia Fidalgo, várias vezes eleita a melhor jogadora Nacional e actual capitã da nossa selecção Nacional. Depois da nostalgia que venha a prova.

Prova de supostos 13000 metros, pois o garmin no fim marcava 14.260 metros, com algumas lacunas na organização que serão certamente corrigidas em futuras edições. Antes da partida deu para saudar “velhos” e “novos” amigos, entre os quais a Ana Pereira (um prazer conhece-la finalmente), o Fábio Ramos e tantos outros a quem deixo um grande abraço. Depois de um rápido aquecimento, a partida cheia de peripécias. Tudo pronto para a corrida, a multidão impaciente mas o tiro tardava, a moto da PSP que iria bater o caminho, não arrancava, a chuva começava a cair mais forte e logo de seguida a buzina que marcaria a largada estava rouca de tanto frio, hilariante.

Logo cedo encontro o Nascimento que fez questão de vir correr à “minha terra”. Trocamos breves palavras e lá fomos num ritmo forte. Aos 3km decidi baixar um pouco o ritmo, passando a rolar conjuntamente com um grupo de 3 atletas em 4m10s a caminho da Verdizela onde estaria o ambicionado retorno. Os primeiros km´s “voaram” sem conversas, sem gestos ou palavras, apenas o som ritmado daquele mar de gente que enchia a estrada, abstraída do mundo, absorvendo apenas a corrida numa manhã de Domingo. Já perto do retorno sou “abalroado” por um grito que trás o meu nome, não descodifico o ciclista obscuro que na faixa contrária gritara, contínuo. Recebo a fita, faço o retorno e recolho a água no abastecimento. 500 metros à frente, o ciclista continuava lá, parado, aguardando a minha passagem. Lado a lado com o ciclista obscuro, que agora reconheço facilmente, José Baptista, um grande amigo, companheiro e mentor na minha aventura como treinador de hóquei em Campo, percorremos alguns km´s em amena cavaqueira, trocando conversas vãs, para colocar em dia as palavras que os anos atrasaram. Só faltou parar para lhe dar um grande abraço.

Estava na hora do último esforço, o garmin apitava 12km´s, mas como conhecedor daquelas estradas, percebi facilmente que era um pouco mais, mesmo assim acelerei. Ao entrar no último km, um furo, ou melhor um ténis desapertado, que em nada mudou a estratégia de forçar o andamento. Cheguei à meta com 54m41s, 33.º no escalão. Depois disto foi abraçar os meus pais e correr novamente, desta vez para casa porque as saudades dos pequenos já apertavam.

Falta agora uma semana para o sonho de correr uma maratona.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

13ºMeia Maratona Ribeirinha da Moita

Depois desta edição, a Meia Maratona Ribeirinha da Moita será sempre uma corrida para marcar presença.

Os 3 Tandur, marcaram presença em mais uma prova, desta feita na 13ºEdição da Meia Maratona Ribeirinha da Moita. Chegamos á Moita e já a procissão ia no adro, pois com tantos atletas por ali em aquecimento, mais parecia que a prova tinha começado. Recolhemos os dorsais, um aquecimento rápido, mas com tempo para saudar o grande vencedor do I Trail Terras do Grande Lago, Luis Mota e a sua família, e claro posar lado a lado para a foto com o Campeão. O que pareciam ser breves momentos antes da prova, tornaram-se numa odisseia de encontros e saudações de amigos e familiares. Por entre cumprimentos ao Joaquim Adelino, é sempre um prazer ver este grande amigo, à malta do CRCP, entre outros, chegava a altura de ter uma grande surpresa os meus pais e meu tio António Fidalgo, marcavam presença. Foi por entre fotos e calorosos abraços que suou o Tiro de Partida. Eu e o Vitor, como já vem sendo regra, ouvimos o tiro e abalamos numa correria desenfreada a serpentear por entre outros corredores, galgando metros atrás de metros para fugir da confusão inicial. Já o António no seu ritmo Maratonista, partindo sempre tranquilo vai-se rindo da loucura destes dois tandur´s . Cedo encontrámos o ritmo pretendido, com o Vitor e o seu garmin em constante sincronismo para que tudo corresse pelo melhor. As nossas corridas são um misto de palavras curtas e frases rápidas interpoladas por briefing´s constantes do Vitor informando o ritmo. O Pelotão alongado já não deixava ver o principio e o fim de toda aquela rebelião que corria incansavelmente em busca da meta. A passagem de todos os km´s era assinalada sempre por placas bem visíveis e por uma sinfonia garminiana, de apitos saídos do pulso de cada um que palmilhava aquela estrada. Até ao primeiro abastecimento, só dei conta de uma pequena subida, pois foi tudo tão rápido, certo, compassado e organizado que os km´s voaram sem que me apercebesse.
Pouco após este abastecimento os sentidos da corrida faziam-se lado a lado, dando para saudar o António Almeida e depois o Joaquim Adelino, que vinham nesta altura um pouco mais para trás. Aos 10km, após algumas pequenas trocas de palavras com o Vitor, decidi meter mais lenha na fornalha já quente pelos primeiros km´s e acelarei descolando do “primo” Tandur e alcançando o Augusto Cruz que conhecera na Meia das Lampas. O Augusto é um corredor de outros andamentos, que a sua aposta na participação da Meia Maratona de Nova Iorque deste ano seja um verdadeiro sucesso. Aproveitei a experiência e o andamento do Augusto para com ele percorrer lado a lado os 8km´s seguintes.
Na passagem pela Moita aos 12km´s

Passámos na zona da chegada, com um bom ritmo, mas dando sempre tempo para saudar a Carolina e a Isabel Almeida, os meus pais e o meu tio com um pequeno aceno e um até já. Foi realmente um ganho enorme ter percorrido estes poucos mas longos km´s com o Augusto numa amena partilha de experiências, conselhos e mais tarde incentivos quando o vi abalar estrada fora, sem ter pernas para o acompanhar.
O pior abateu-se sobre mim já perto do km 18, já sem forças para acompanhar o andamento imposto pelo Augusto, fiquei resignado e literalmente pregado a olhar para a longa subida que se avizinhava. Subi em dificuldades, mas com a ideia que ainda tinha uma réstia de forças dentro mim para o último km. Perto da descida para a meta, ouço o amigo Fábio Ramos do CRCP saudar-me velozmente enquanto passava em passo acelerado. Demorei um pouco a reagir. Lentamente o corpo moído e dilacerado pelos velozes km´s percorridos, cedeu. O espirito ganhava a batalha pelo último km, tal como Siddartha Gautama um dia suprimiu o ser á vontade da mente. Como que acordei bofeteado pelo vento, sacudido pelo asfalto e empurrado pela vontade de chegar.

À chegada a confirmar o tempo.

Cheguei com 1h33m06s, 2 minutos menos que o meu anterior melhor tempo na distância. Respirei fundo e interiorizei o momento. Era tempo de saúdar o Fábio Ramos e o João Lourenço do CRCP, e agradecer ao Augusto Cruz a ajuda nesta prova. Abracei os meus Pais e o meu tio, e recebi a magnifica chamada da minha Maravilhosa Esposa e Filhos a comemorar comigo esta vitória pessoal e a conquista de um novo PR na distância.

Como diria o meu filhote, Vitória, Vitória acabou-se a história..….em Almeirim há mais.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Da Chegada à Partida!

Domingo foi dia de baptismo. Marcaram presença perto de 17 mil na festa, mas os Tandur é que apadrinharam um companheiro na sua primeira meia-maratona. Parabéns ao Alberto Coutinho pela estreia na distância e com uma marca de se lhe tirar o chapéu, 1H42m53s bem “chipados” nos ténis.

Alberto Coutinho e Eu ainda a frio

Eu e o Coutinho, chegámos cedo ao Parque das Nações com o objectivo de evitar a confusão e de o ajudar a preparar ao máximo a partida para a sua primeira meia-maratona. Às 9:10 já estávamos em cima do tabuleiro da ponte Vasco da Gama, a disfrutar de uma vista maravilhosa sobre o Tejo, sobre Lisboa e a Margem Sul. Como brinde tinhamos o vento bastante fresco que obrigava a um constante movimento para não congelar. Aos poucos os amarelos da Carris, tal como formigas no carreiro, iam chegando com atletas à zona de partida, empolgando o espírito festivo que já se fazia sentir nesta altura.
À espera do Tiro de Partida

Cedo encontrámos o meu grande amigo Mário Lima, dono de um espírito de fazer inveja, e de uma contagiante boa disposição. Corrida sem a presença do Mário Lima não é corrida. Começavam a chegar os companheiros da Blogosfera, o Carlos Coelho, a Ana Paula (foi um prazer conhecê-la pessoalmente), o Hamilton, o Fábio, e finalmente os “originais” TANDUR, Vitor Veloso e António Almeida. O sol já alto, o calor humano das amizades corredoras e a adrenalina de mais uma prova, aqueciam o ambiente outrora gélido. 10H30m e o tiro de partida era dado. Suponho eu, porque sinceramente não o ouvi, só vi a malta a correr. Esbocei um pequeno sorriso ao lembrar-me de uma corrida recente em que o Mário e o Vitor tinham passado pelo mesmo, tiro nem vê-lo ou ouvi-lo. Começava a Prova, eu e o Vitor tal como despertos pelo arranque, serpenteávamos pelo meio daquela confusão inicial de atletas que se aos 100metros já não correm como querem fazer 21k?! Primeiro km e avançámos rápido, saudámos o Fábio e a Analice, durante as velozes ultrapassagens. Ao terceiro quilometro, surpresa, primeiro abastecimento, eu e o Vitor olhámos desconfiados, mas não recusámos a oferta. Ao Km 5 continuávamos a rolar perto dos 4min, e o Vitor com mais bom senso que eu, abrandou o passo ficando um pouco sozinho. Sabia que para atingir o tempo que ambicionava tinha de continuar forte, e sendo assim lá fui, numa passada rápida palmilhando o alcatrão e sedento de km´s depois de uma semana sem treinos. Ao km 7 uma outra cara conhecida, o João Lourenço do CRCP. Umas semanas antes tinhamos feito lado a lado a maior parte da corrida do Avante. Trocamos umas breves saudações e sem grandes conversas lá fomos andando numa passada ritmada pelo impacto quase silencioso dos ténis na estrada. Correr estas provas junto ao Tejo, têm sempre um sabor especial para mim, pois cresci a ver o rio e é através dele que escrevo e guardo as minhas melhores corridas. Pouco depois de Santa Apolónia, o ambicionado retorno. Aquele ponto que nos transfere a mente para a chegada e o cavalgante coração nos catapulta o corpo até ao ambicionado cortar de mais uma meta. Era tempo de rever aqueles que tinham ficado um pouco para trás, olhá-los nos olhos e gritar-lhes pela força que os empurra para os restantes km´s. Pouco tempo após o retorno cruzava-me com o Vitor. Ia numa passada forte e com a ambição guerreira que o caracteriza espelhada no rosto. Gritámos Tandur bem alto para animar e lá fomos seguindo o destino. De seguida o estreante Coutinho, com um enorme sorriso e com uma enorme frescura para quem estava na primeira meia maratona. Um pouco mais atrás vinha o amigão Mário Lima, que ao gritar o meu nome bem alto me fez trocar a respiração certinha e controlada, por uma enorme gargalhada e um efusivo aceno. Eu e o João continuávamos lado a lado a derrubar km atrás de km, enquanto o pelotão em sentido contrário ia ficando reduzido. Subitamente, lembrei-me que não tinha visto o António Almeida, o maior deles todos e não o vira, num misto de preocupação e ânsia de chegar, obriguei-me a pensar que só tinha uma hipótese, simplesmente não o tinha visto, pois sei bem que um Tandur não desiste. Entre pensamentos e algumas trocas de breves palavras com o João Lourenço, estávamos a entrar no último Km e pelo relógio oficial a 1h e 35m estava a dois minutos de distância, quando me lembrei que o que contava era o Chip, gritei bem alto: Ainda dá! E desatei a correr como o Diabo foge da cruz, o João riu-se e seguiu-me as pisadas. Chegámos finalmente à palavra META com 1h36m33s. Apesar da boa prova que tinha feito senti que tinha falhado o meu objectivo por pouco, sentimento que ainda se tornaria ainda mais cruel com o chip a marcar 1h35m06s.
Os Tandur e o Estreante
(António Almeida, Filipe Fidalgo, Alberto Coutinho e Vitor Veloso)
Foi bom de ver chegar os amigos e no fim com eles festejar os objectivos conquistados num clima de euforia, onde por surpresa um homem do Norte, o triatleta Rui Pena, marcaria presença para com ele trocarmos um grande abraço.
Depois desta animada chegada, ficaria para mim marcada uma partida. A avó da minha esposa partiu hoje para uma nova corrida, esta sem retorno, mas certamente para um lugar que será sempre seu nos nossos corações.
Que os Anjos corram a seu lado Laurinda de Jesus, até sempre.