segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Não parei, mas abrandei....

Sempre ouvi dizer, mês de agosto é mês de férias, e para não fugir à regra foi isso que fiz.
Não parei, mas abrandei.

Mês de Agosto sem provas, com alguns treinos, sem muita exigência, para apenas rolar. Aproveitei os fins-de-semana para descontrair com a família, os treinos foram ficando para durante a semana, ao cair da noite. Deixei de ser um corredor madrugador e passei a ser um corredor nocturno, e por momentos, esqueci o corredor de domingo que há em mim. Esqueci o corredor mas não esqueci a corrida. Não corri, mas fui correndo, sempre com a família a meu lado, passo a passo. Passos pequenos mas certos, firmes e ambiciosos em busca de mais uma meta. Olho sempre para o lado e vejo-os sempre lá, incentivando e empurrando o meu corpo e a minha alma km a km, metro a metro, passo a passo. Só assim corro, abraçando todo o apoio que me dão em todos os km´s da minha vida.
Começa hoje, a longa caminhada até à linha de chegada de uma maratona seja no Porto ou em Lisboa, mas uma coisa é certa , tenho de cortar aquela meta.

O mês de Setembro avizinha-se difícil, mas certamente será muito emotivo e inesquecível.

Primeira Prova – Corrida da Festa do Avante dia 5 de Setembro, uma corrida à porta de casa, pelas estradas da Amora que bem conheço.

domingo, 25 de julho de 2010

Na companhia do Coutinho....

Oito dias depois da grande jornada à beira mar, voltei à estrada. Sábado de manhã, 9h à porta do SAP – Amora, local original para um treino diferente do habitual. Os meus treinos na baía do Seixal, são normalmente, treinos calmos à beira rio, num local que se tornou na minha zona de eleição para um treino de estrada. Esta zona torna-se local de romaria para aqueles que gostam de desporto no fim de semana, podendo sempre usufruir de zonas destinadas apenas aos transeuntes e corredores de domingo, com bebedouros espalhados ao longo do percurso e inclusive, marcações indicativas do percurso e respectivos km´s isto tudo para uma distância máxima de 15 km´s (ir e voltar, claro!). Um bom local perto de casa.

Mas esta semana, não passava apenas por “sentir” o rio. Tudo combinado e sábado às 9h da manhã era altura de dar a conhecer o espaço ao meu amigo Miguel Coutinho. O Miguel é um companheiro ainda novo nestas andanças, com apenas uma prova feita este ano (2ºcorrida das novas oportunidades), elevou a fasquia e treina agora para a sua primeira Meia, no dia 26 de Setembro na Meia Maratona de Portugal. Saímos num passo tranquilo um pouco acima dos 5min/km, colocando a conversa em dia e deixando rolar, rapidamente chegámos ao Seixal.

Passámos o Seixal através das suas ruas estreitas em direcção ao terminal Fluvial, de onde se vislumbra uma paisagem magnífica. Barreiro, Lisboa e Seixal, amarrados pelo Tejo, de braço dado com o rio, e ao mesmo tempo longe, distantes, separados pelo mesmo espelho de água que os banha e une todos os dias. Subimos ao centro de estágio, lentamente por a subida ser difícil mas também para “provocar” o Coutinho Azul e Branco, que é claro não levou a mal, e imaginou-se a correr no Olival. Terminada a ida estava na altura da volta, agora com mais calor, sentimos o sol sereno sobre o rio e os braços, fazendo daquele treino uma quase ida ao solário. O ritmo aumentou um pouco, o Coutinho está em forma, leva muito a sério o seu objectivo. Eu pelo contrário, os 30km´s da semana passada na área a beira-mar tinham deixado algumas mazelas, e com mais uma semana a pagar parquímetro dos ténis, sentia-me lento, pesado e talvez um pouco em baixo. Fizemos nessa altura vários km´s abaixo dos 4:30m\km, tornando rápido o regresso de volta ao SAP, ao local de partida. Um até logo ao Coutinho, e toca a subir em direcção a casa, para um reconfortante banho fresco, que o dia já ia quente.

Fiz 15 km´s em 1h10m, perto de 13 com o meu amigo Coutinho, que a continuar assim, com a seriedade com que abraça os seus desafios, fará certamente uma excelente prova na Meia Maratona de Portugal.

domingo, 18 de julho de 2010

Da Caparica à Lagoa de Albufeira....e voltar!

Manhã de sábado, e eis que os raidistas se fazem às areias da Costa. A praia quase deserta, fazia jus à hora em que os aventureiros se preparavam para um treino longo, muito longo, no vasto areal da Costa Azul. Partimos 7 com vontade de chegar longe, passo a passo: eu, o Vitor Veloso, o Luís Parro, o Mário Lima, o Rogério e outros dois companheiros que não consegui fixar o nome. Ritmo lento para aquecer, e a conversa ainda vasta sempre em torno da UMA, da Almonda e de todas as provas de trilhos e aventuras mais recentes.
(fotos gentilmente cedidas pelo Vitor Veloso)

 O grupo mantinha-se unido numa passada calma, fintando aqui e ali as investidas da água que tentava teimosamente molhar-nos os pés. Deixávamos para trás o último pontão, o último porto seguro, passamos a Mata, a Rainha e num pulo estávamos na Fonte da Telha. 8 Km’s feitos, num areal até ali fácil e com poucos banhistas. Aos 10 Km´s o Mário sentia dificuldades, uma antiga lesão que também tinha vindo treinar, e sensatamente decidiu voltar antes que o problema se agravasse, um treino é um treino, mas a UMA fala mais alto. Estávamos a chegar à parte mais difícil, da Fonte da Telha para a frente o areal fica mais solto, as ondas chegam mesmo acima de quem corre, criando dificuldades e obrigando a um serpentear constante, duna acima, duna abaixo. Apesar das dificuldades o Vitor e eu tentámos manter o ritmo forte, ouvimos o Luís Parro despedir-se, estava na hora de também ele voltar. As dificuldades aumentavam, o calor também, éramos só dois contra a Mãe Natureza. As gaivotas arbitravam o duelo, mas nós continuávamos numa passada forte, aproveitando o vai e vem das ondas para tentar correr na área mais compacta, mas logo de seguida tínhamos de fazer um sprint para a duna pois o mar não nos deixava ocupar um espaço que considerava seu. Perto dos 14 Km’s numa tentativa de fugir de uma onda, enterrei o pé na areia e o meu malogrado joelho esquerdo cedeu. Uma dor lancinante obrigou-me a abrandar, deixei o Vitor continuar e fui ficando calmamente para trás. Mas a vontade de chegar à Lagoa de Albufeira era mais forte, passada lenta mas continuei, agora com mais cuidado, correndo na areia solta para evitar as mudanças bruscas de direcção por causa das ondas. Cheguei finalmente à Lagoa, o Vitor já se preparava para voltar. Tirámos a foto para registar o momento, e voltámos os dois.

(fotos gentilmente cedidas pelo Vitor Veloso)

 Tentei, mas o joelho não deixava, o Vitor está muito forte, acredito plenamente que vai fazer uma grande UMA, perguntou-me se estava bem se queria que abrandasse, recusei. Não podia deixar que o meu problema prejudica-se um amigo no seu treino e nos seus objectivos. Era agora uma luta minha até à Costa da Caparica, faltavam “apenas” 15Km´s. Continuei, agora sozinho, vendo o meu amigo Vitor afastar-se, aceitando as dores do meu joelho, mas recusando parar. Estava na altura de me colocar à prova a mim, a minha vontade, e o meu espírito superar o corpo, recusar uma limitação e fazer das tripas coração, como diz a sapiência popular. Foram 4 Km´s, com o corpo a pedir clemência, mas cada vez que o garmin apitava por mais um Km cumprido, renascia a vontade de continuar, de me superar. A maré agora mais baixa, dava tréguas, a arriba fóssil imponente, marcava a paisagem, as gaivotas esvoaçavam por ali, e eu só pensava em chegar, de preferência inteiro. Começava agora a ganhar a luta com o meu corpo, aumentei a passada, e depois um pouco mais, estava a superar a maleita, passei a Fonte da Telha praticamente com 3 horas de treino, e continuei, a Caparica é já ali. O vento aparecia agora de frente, dificultando a passada, serpenteava, não por causa das ondas mas pelos inúmeros banhistas que aquela hora já enchiam as praias, felizmente o piso agora estava melhor, bem melhor. A história invertia-se primeiro a Fonte da Telha, depois a Rainha, a Mata e já se avistava o pontão da Costa, estava mesmo a chegar. Entrei no último Km, um apito do garmin e uma voz que me chamava, pensei por um súbito momento que estava a delirar, o garmin a falar. Mas não, era o Vitor, foi bom ver um bom amigo à chegada. Estavam feitos 30Km em 3H39m, nos areais da Costa Azul. Passei muitas dificuldades, muitas adversidades, consegui superar-me, mas o melhor foi mesmo correr com aqueles raidistas, conhecer pessoalmente o Mário Lima e o Luís Parro e palmilhar as areias com alguns dos muitos “Duros” que no dia 1 vão enfrentar a UMA. A todos eles envio as mais sinceras palavras de Força e persistência para superar tão grande prova, pois a UMA é só uma e bravos muitos serão.