quinta-feira, 1 de junho de 2017

REVIEW - Skechers GoRun 5

Skechers GoRun 5

Nos últimos 2 anos a skechers colocou o mundo a correr. 
Com um trabalho de fundo totalmente focado na performance e conforto em cada passada, foram afinando cada sapato versão a versão, estando agora num autêntico processo de fine tunning. Os GoRun 5 são o elevar mais uma vez desta Série. Um sapato de transição suave e confortável, surpreende pelo amortecimento em tão baixo peso. 
Quase que diria que é um sapato destinado ao pelotão, que corre que se farta mas que não consegue deixar de pensar no amortecimento.   

Com um upper espectacularmente respirável, é talhado para as corridas de verão. 


Sem esquecer nada, do que muito de bom se tem feito na skechers nos últimos anos, o icónico Quickfit é um exemplo perfeito do conceito, equipa que ganha não se mexe. 
Com amortecimento e estabilidade excelentes a flexibilidade do sapato não ficou esquecida, tendo uma significativa melhoria em relação aos modelos transactos
Depois do estrondoso sucesso dos GoRun 4 em 2016, os Go Run 5 são um sucessor à altura, prometendo um futuro cada vez mais excitante para a série GoRun.


Amortecimento – 8/10
Flexibilidade – 7/10
Estabilidade - 8/10
Conforto – 9/10
Média – 8


Não posso deixar de agradecer à AMMagazine e à skechers, pela possibilidade de testar mais um grande modelo.


terça-feira, 9 de maio de 2017

REVIEW - Asics Noosa FF

 Calçar uns Asics, é um sinal de conforto e nestes Asics Noosa FF esse pensamento passa rapidamente a ser uma realidade. Os Asics Nossa FF, são um calçado inteiramente desenhado para triatlo, com um suporte traseiro que facilita o calçar e descalçar rápido, tornando as transições do Triatlo dignas de um Pit Stop de Fórmula 1. Rápido, seguro e fiável.

O calçado cativa a velocidade, com os 10mm de Drop a provocar sensações muito rápidas e suaves na transição da passada. O design arrojado e colorido envolto num conforto e numa respirabilidade excelente, transforma um treino rápido num infindável misto de sensações assentes numa leveza em cada passada. Adorei os treinos curtos e rápidos com este calçado, mas já os treinos mais longo (+ 20K), deixam um pouco de receio, uma vez que na minha opinião o amortecimento e a sua flexibilidade, não são o seu expoente máximo.


 A sua estabilidade provém de não só de toda a estrutura que envolve perfeitamente no pé, mas também de uma sola muito segura em ambientes escorregadios.

 



 Na minha opinião pessoal, são um calçado rápido fiável e seguro, para quem procura um bom desempenho em provas ou treinos ate á meia maratona. No entanto considero que são mesmo perfeitos, para bater aquele recorde que parece fugir aos 10K.
 
Serão certamente os parceiros de treino ideais para aqueles treinos matinais, em que precisamos de sentir uma adrenalina extra em cada passada.

Amortecimento – 7/10
Flexibilidade – 7/10
Estabilidade - 8/10
Conforto – 9/10 
Média – 7,75
 
Não posso deixar de agradecer à AMMagazine e à Asics, pela possibilidade de testar este excelente modelo.


http://www.asics.com/gb/en-gb/noosa-ff/p/0010291367.9085

terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Trail de Sesimbra


Nem sempre é fácil voltar ao blogue e escrever mais uns km´s de aventuras e desventuras, mas será sempre mais difícil passar por aqui e nada escrever.

 Sim, tenho andado a baldar-me ao blogue. Sim, também me tenho baldado aos treinos. Às provas, nem se fala, pois isso não tem sido uma balda, tem sido mais uma enorme rebaldaria. A verdade é que as lesões têm sido as minhas mais fieis companheiras ao longo dos últimos tempos, mas nada que o tempo não cure, o descanso não repare ou mesmo que o gelo não melhore. Como tal, tenho andado num misto de fisioterapia passiva de gelo esporádico, como que se de uma desculpa se trata-se, para ocultar o medo e o receio de me voltar a aleijar. Resumindo, estou velho e preso por elásticos e arames.

Mas todos nós temos umas crises. Principalmente após aquelas provas mais violentas, que nos deixam lesionados ou dois dias totalmente doridos. Depois acordamos ao 3º dia, cheios de pica e com vontade de partir de tudo e Inscrevemo-nos numa nova loucura, porque a que passou, simplesmente, já não dói. Pois eu estou mais ou menos a entrar na madrugada do 3º dia. Já nada me dói, mas a adrenalina ainda não atingiu os pícaros da invencibilidade sobre-humana, que nos transforma nuns verdadeiros walking-dead, a percorrer sites e blogues, à procura daquela prova que ainda têm as inscrições em baixo custo.
Foi nesta transição que decidi ir ao VI Trail de Sesimbra, onde felizmente tive a excelente companhia do Hugo Hilário, com quem já tinha andado a bater km´s  no Trail do Canha, com resultados até interessantes. Mas a chegada a Sesimbra marcou um enorme reencontro, o meu grande amigo Mário Lima. Para quem não sabe ou não conhece, este senhor é uma enorme lenda viva da corrida e do pelotão corredor em Portugal. Um amigo de muitos km´s e aventuras, mas acima de tudo um ser humano com uma simplicidade e uma amizade fora do comum. Revê-lo e dar-lhe aquele abraço, foi sem dúvida um enorme ganho, ainda sem ter começado a correr.

Bem, mas passei por aqui para falar do Trail que esteve para ser Ultra, mas não o foi, no entanto a corrida nunca mais começa.
 
Foto Facebook - Runners Dream Moments

A prova é excelente, tem vistas surreais, trilhos magníficos, subidas intermináveis, mas no entanto tem algumas coisas a rever. A primeira será sempre a passagem pela Ribeira de Cavala, que se tornou num enorme engarrafamento, apenas e só porque, ao km4 o pessoal ainda vai demasiado próximo para um trilho tão estreito e técnico. Depois a questão da subida ao Castelo, num trilho estreito e muito ingreme que coincide como trajecto das 3 provas. Claro que só podia dar novo engarrafamento, muito embora menos relevante do que o do km4. Fora estes pequenos reparos, o Trail acabou por ser excelente. Desde o princípio, que tive a sorte de ir sempre aproveitando a “boleia” do Hugo, e controlando os tempos e o esforço para chegar ao fim “inteiro”.

 Tinha inicialmente previsto dividir a prova em 3 partes de 7Km cada. Deixava rolar os primeiros 7 sem forçar andamento, evitando assim maior desgaste. Tentaria aumentar o ritmo nos segundos 7 para ver a reacção do corpo a tantas semanas parado e caso chega-se “vivo” aos últimos 7, seria para chegar perto do red line da gestão de esforço.

Creio que tudo acabou por correr dentro do planeado, muito por causa do reboque do Hugo Hilário que me foi mantendo sempre alerta e focado no objetivo. Acabei com 2h34, o que na minha opinião acabou por ser bastante satisfatório, dado que acabei com mais km´s nas pernas do que nas últimas 3 semanas, e a prova só teve 21K. A decisão de não fazer a ultra mas a prova de 21k, foi sem dúvida nenhuma a mais acertada, pois não tinha tido qualquer hipótese de acabar a tão ansiada Ultra. Ficou por isso adiado o objetivo, certamente para um futuro próximo.
 
Foto Facebook - José Manuel Bué

Com a prova terminada fomos fazendo de imediato o rescaldo, primeiro com o Rui já fresco e descansado, depois de nos ter dado mais um abada de 15min e depois com o Laia e o seu aspeto de quem foi ali passear, dada a frescura que apresentava à chegada. Por momentos até cheguei a acreditar, que só a mim é que me doíam as pernas, os pés, os tornozelo, os joelhos e sei lá mais o quê.

No fim a grande equipa do GDU Azóia, não podia deixar de festejar mais uma prova terminada, com uma geladinha e um banho nas águas de Sesimbra. Felizmente, não existem provas fotográficas, que nos incriminem de tal festança.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

3ºTrail do Cabo Espichel

Parece que foi ontem, mas já passou uma semana. Isto de andar a fazer trilhos nos Jantares de Natal e Trails nos almoços festivos, não deixou muito tempo para escrever sobre o 3ºTrail do Cabo Espichel.

Desta vez os 5 loucos do Azoia (Sim, os mesmos cinco das últimas novelas e aventuras) não alinhavam á partida. Eu e o Rui, antes da partida éramos os corajosos dos 30Km, no fim seriamos apenas os rebentados dos 30K. O Zé ia para os 15Km e o Laia e o Gomes ficavam a dar apoio no último abastecimento, certamente para gozar com os 2 empenados, conforme se veio a verificar.
Para finalizar este ano de recuperação, tinha deixado a prova com maior distância para o fim, mais ou menos como uma criança que deixa o rebuçado mais doce para último, para poder saborear melhor, aquele momento de degustação natural. O Trail do Cabo foi esse momento!

(Foto by João Pereira)

Correr pelas cores do Azoia, com este enorme grupo de grandes amigos, tem sido uma experiência inigualável em muitos sentidos. Temos feito provas magníficas, sempre com um enorme espirito de aventura e divertimento. À partida eu e Rui lá fomos andando atrás daquele “rebanho” de gente colorida e ainda sorridente, com pernas frescas e cheias de força. Logo aos 3Km, percebi que não estava virado para grandes correrias, sentia as pernas pesadas, e só via passar por mim malta cheia de pressa, certamente atrás de algum autocarro ou táxi que eu não tinha avistado. Fui correndo e apreciando as vistas, ao ponto de ter perdido o Rui para o grupo dos aceleras. O primeiro abastecimento veio na altura certa, admito que mesmo apreciando a paisagem, faltava qualquer coisa. Percorri rapidamente a mesa, não havia filhoses, nem azevias ou bolo-rei, mas havia uma enorme simpatia do staff do Azoia, o que verdade seja dita, é uma realidade hoje e sempre, em qualquer prova ou abastecimento. O abastecimento era farto para corredores e aquelas palavras certas de apoio, a todos os que ali chegassem, aconchegou o espirito a muita gente. Dali para frente, já não estranhei mas entranhei a espetacularidade daquele Trail.

Os trilhos mais técnicos são desafio a cada passada, que me despertam para tudo. Correr naquelas arribas arrepiantes é como uma descarga de adrenalina constante, que me sacode a alma em cada km lado a lado com aquele oceano sem fim. Subo uma pedra, desço um socalco, salto uma poça de lama, mas nada importa. Já estou a saborear o melhor rebuçado, e ainda falta tanto para o fim. Ao passar o Farol, a caminho do Convento, sou mais um no meio de muitos que correm agora de boca aberta, assoberbados com a paisagem, assoberbados com a nossa própria pequenez.


(Foto by Miguel Baltazar - Facebook Oficial da Prova)

O último abastecimento é como um porto de abrigo. Tudo o que comer ou beber agora só ajudará para chegar ao fim. Agora já não há aceleras, tudo é feito devagar, com calma para não perder nenhum detalhe daquele momento. Já estou na última parte da prova, mas a adrenalina e o gel energético, mantêm todos os sentidos em alerta constante. Os músculos querem correr e mais vale aproveitar enquanto isso acontece. Contínuo envolto numa atmosfera que não sei explicar muito bem, nesta altura já devia ter dores nas pernas ou nos pés. Com alguma surpresa apanho o Rui, está um pouco rebentado, mas ainda sorri. Pouco depois, pendurado no meio da falésia vejo o Gomes e o Laia. Isto à cá com cada sitio para fazer um posto de controlo. Deve ter sido do choque de os ver ali, mas as pernas começaram a doer a sério depois de falar com eles e ainda faltam 4 kms. Entre o correr e o andar deu para entrar no último km, todo empenado cheio de mossas na carcaça, mas com um enorme sorriso. Isto afinal não correu mal, acabei com 4H08m e um High-five ao amigo Noel. Que com toda a calma do mundo, tal e qual como um grande profeta que deixa as palavras certas no momento exato, sai-se com esta:

- Já está! Esta já ninguém te a tira.

Grande Noel, nem imaginas como aquele momento foi importante. Nesta altura há precisamente um ano atrás, nem 5km eu conseguia correr numa passadeira e agora aqueles 31,4km já eram meus. Só posso por isso agradecer a todos aqueles amigos do GDU AZOIA, pelo carinho em todos os momentos da prova.

Não é fácil dissecar aqueles 30Km´s. À medida que as letras se encaixavam e as palavras se entoavam em frases descritivas e detalhadas, parecia ficar cada vez mais por dizer.
Cada pedra tem a sua história, cada passada constrói um caminho que assenta sempre numa longa estrada onde o olhar pára, deslumbrado, assoberbado ou simplesmente ofuscado, pelas magníficas paisagens que este Trail me gravou na memória.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

1ºTrilhos de Bellas

Após o Trail da Quinta do Pinhão, tinha renascido em mim o desejo das peripécias e aventuras do Trail e como tal, nada como lançar-me a uma nova aventura, o mais rapidamente possível.
A aposta caiu nos 1ºTrilhos de Bellas.
Zé, Gomes, Rui, Eu e o Laia

A comitiva GDU AZOIA, marcava presença para uma prova carregada de incerteza e desconhecido, uma vez que à exceção da minha pessoa que não corria esta distância à cerca de 18 meses, todos os restantes nunca sequer a tinham corrido. Resumindo: Venha a Aventura!

Os 30 minutos de atraso deliberados pela organização, permitiram o acerto da estratégia, mas foram arrefecendo os motores, o que mais tarde viria a ser a morte dos artistas. Eu e o Pedro Laia, tínhamos uma estratégia, bem delineada. Corrermos e andarmos e quando a coisa começasse a dar para o torto, andavamos e corríamos. Era a receita ideal para quem não tem pernas para estas cavalgadas. O Rui ambicionava chegar à frente dos Quenianos, o Zé tinha de ser rápido para dar o almoço aos miúdos e o Nuno Gomes estava carregadíssimo de vontade de varrer os trilhos sempre a abrir, na sua passada.
EU e o Pedro Laia, ainda sem dores nas pernas.

Até ao primeiro abastecimento no km7.5 as coisas pareciam bem encaminhadas, as pernas (ainda) estavam frescas, e apesar das duras subidas ainda conseguíamos trazer um sorriso. A segunda parte da corrida era entre os 2 abastecimentos, dos 7.5Km aos 17,5km. Pela altimetria previamente divulgada, era aqui que estavam os maiores obstáculos, ou melhor as maiores “paredes”. Apesar de avisados para as dificuldades, eu e o Laia, conseguimos manter um andamento agradável, cheio de confiança, mesmo nas subidas mais íngremes. Nesta altura a prova começava a ficar verdadeiramente interessante, tanto subíamos desmesuradamente como logo de seguida, sentíamos o doce calor da adrenalina a correr-nos nas veias, em mais uma insensata descida. Chegados ao último abastecimento, foi o deliciar com tudo o que tínhamos direito e siga para bingo, faltam 10K.
No último terço da prova, tudo mudou. A experiência de outras andanças dava-me a certeza, no trail tudo muda de um km para outro. Depois de mais uma ou 2 subidas a tocar os céus, vinha a parte mais técnica com uma descida bem longa a saltar de pedra em pedra. A partir daqui, simplesmente o motor desligou, a descida tinha-me amassado as pernas, as costas chiavam de dor e as hérnias já não queriam correr mais. Ainda faltavam 5 longos e penosos km´s. Posso dizer que me fui arrastando, km atrás de km. O Laia parecia bem mais fresco do que eu nesta altura, e quase por mútuo acordo, voltámos à táctica inicial, correndo e andando ou andando e correndo. Conseguimos chegar com 3H49m, um tempo canhão. O Rui deu-nos um baile e quase já tinha almoçado quando demos os últimos passos a contar. O Zé e o Gomes, sorrateiramente tinham feito 4H e pouco, e apesar das dores que certamente traziam, não lhes faltou o sorriso por terem concluído a Aventura Trailista. 
No Grande Final!

Apesar de ter sido duro, só me vem à cabeça quando será o próximo empeno, porque este já foi.
 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

I Trail Quinta do Pinhão


Depois das saudades da estrada, estava a desesperar por um trail.

Depois de convite, quase ultimato, tinha de voltar aos trails! O meu companheiro, padrinho e amigo da orientação, Pedro Laia, quase que me arrastou para voltar aos trails. E nesta altura só lhe posso agradecer por isso. Sem andamento, com uma grande incerteza mas com uma enorme confiança, decidi participar no novíssimo trail da Quinta do Pinhão. Em tom de brincadeira, aventura e em representação do G.D.U. Azoia, acabei por voltar aos trails mais depressa do que tinha imaginado. 

Fizemos uma equipa de recheada de contratações de último dia do mercado, mas mesmo assim diria que fomos quase brilhantes. Sim, porque creio que de todas as equipas que acabaram à nossa frente, cada membro tinha mais km´s este ano que nós todos juntos.

 Os Azoia Runners, antes da partida!
(Sérgio Mónica, José Guerreiro, Rui Fonseca, Pedro Laia, Filipe Fidalgo, Luis Carapeto, Nuno Gomes)


Os 15Km eram a distância certa para não recearmos fazer lesões, nem provocar demasiadas mazelas nas pernas. Como tal, juntámos uma camisola colorida, uma pitada de insanidade e corda aos sapatos que isto só acaba no fim.

Os primeiros km´s foram para mim um misto de liberdade e loucura, mas a primeira subida a sério perto dos 7 Km colocou ordem nas ideias e na fervura emocional. É um choque, quando nos apercebemos que não temos pernas para as correrias de outrora. Dali para frente acabei por saborear apenas cada km, com uma leveza de espirito que nem me lembro de partes do percurso. Houve momentos, em que no meio daqueles trilhos, embora não muito espectaculares, consegui absorver o espirito intrínseco do trail no seu estado puro. Absorvi tanto a natureza e o efeito de voltar a correr nos trilhos, que até deu para me enganar num caminho demasiado simples para o fazer. Sem stress, voltei ao trilho certo e corri, apenas por correr, sem olhar às pedras, à areia, às raízes, mas sim focado em chegar rapidamente ao fim. Onde poderia dissecar toda aquela aventura imprevista.

Os “loucos” do Azoia acabaram num honroso e impensável 5.º lugar, por equipas. E eu ainda estou para descobrir como cheguei tão rápido à meta.

                                                    A Foto do Sucesso Alcançado!

Para um primeiro evento, podemos dizer que falhas existiram as suficientes para fazer do próximo ano uma excelente prova, para quem se queira estrear no mundo do Trail. Prova fácil, sem muitos ambientes difíceis ou técnicos, que acabou por me trazer de volta o bichinho do Trail.
  



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Alegro Meia Maratona de Setúbal ´15




Foi um longo até já, mas agora é para voltar. Voltar a partir do meio da multidão de inúmeros desconhecidos, incógnitos ansiosos por percorrer estradas sedentas de novas passadas e trilhos sequiosos de aventuras. Km´s marcados por todas aquelas solas coloridas, que trazem sonhos, esperanças, mas acima de tudo uma paixão: A corrida!

Para muitos era apenas mais uma de muitas provas, mas para mim foi um pouco mais. Voltei a sentir aquele nervoso miudinho, aquela vontade de vestir mais um equipamento, de voltar a calçar os ténis, mas acima de tudo o arrepio dissimulado na rotina de colocar mais um dorsal.

A meia maratona de Setúbal era uma incógnita, assente em muitos factores, que me faziam sentir uma vontade ainda maior de correr. Um traçado desconhecido, um regresso às meias maratonas, o aceitar do convite de renascer e ao mesmo tempo do renascer da meia maratona de Setúbal. Uff! Que reboliço de emoções.
No tiro de partida, Eu e o Luis Carapeto, voltámos a estar lado a lado para mais uma aventura kilométrica. A lembrança regredia-nos apenas 2 anos, mas mais parecia que tinhamos voltado 20 anos atrás no tempo, pois até o simples nó dos ténis parecia mais difícil de ficar firme. Mas lá voltámos a correr, envoltos num mar de loucos de calções justos, com camisolas coloridas, dorsais ao peito, e um par de ténis caros a ornamentar toda aquela insanidade dominical. Sim, a imagem assim descrita é um pouco estranha, mas só quem lá está domingo após domingo é que sabe e sente o quero dizer.

Nunca, tinha corrido em Setúbal! Parece mentira, mas apesar de ser aqui tão perto tal nunca tinha acontecido. Mas a primeira vez valeu por tantas outras que nunca aconteceram. O traçado apesar de duro, quase a roçar as Lampas do meu amigo Andrade, é simplesmente maravilhoso, e porque a organização foi de fazer inveja a muitas outras provas de renome que se fazem por esse Portugal fora. A HMS e o Alegro ( Immocham Portugal), criaram uma lufada de ar fresco nas meias maratonas em Portugal, com uma organização de excelência, que certamente deixou, em todos, o desejo de voltar em 2016. 
Que saudades que eu tinha, de correr, de terminar uma prova, de sentir aquela devoção e o sentimento de dever cumprido. Mas acima de tudo de voltar para casa, com um sorriso nos lábios. Chegar, com uma chapa pendurada ao pescoço por uma fita patrocinada e abraçar a família agradecendo todo o amor que nunca me faltou mesmo sem correr.
 

Classificação:
 

PS: Não foi nada de especial, mas depois de tanto tempo parado, não deu para mais e foi o que se arranjou.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Adeus e Até Já!

Passaram 10 anos sobre a primeira vez. Não que isso me traga alegrias ou alguma espécie de nostalgia, mas 10 anos depois voltei à casa de partida.

Faz amanhã 10 anos que o calvário começou, a primeira rotura do ligamento cruzado anterior atirava-me para a mesa de operações, terminando ou adiando sonhos e objectivos pessoais que me marcariam para sempre. Não tenho feitío para me deixar abater ou derrotar, mas o golpe foi duro e 10 anos depois tenho a certeza que a minha casmurrice, idiotice e teimosia me levaram a percorrer caminhos que nunca pensei sequer pisar, mas foram esses caminhos percorridos que me levaram a conhecer mundos e gentes. Simples desconhecidos, humildes conhecidos, “primos” e fiéis amigos com quem tive o prazer de privar e partilhar momentos únicos que jamais esquecerei.

Agora chegou novamente a hora de parar. Pensar e repensar onde cheguei, como cheguei e com quem cheguei. Uma nova rotura do ligamento cruzado anterior, irá novamente roubar-me 6 meses de vida, mas ao mesmo tempo dar-me-á novas vivências que também elas me marcarão para o futuro, que tal como da primeira vez, será conquistado dia após dia, exercício após exercício, passo a passo até ao que se espera ser mais uma recuperação com sucesso. Será a minha 3º cirurgia aos joelhos e esta marcará o fim de mais uma época feliz da minha vida, foi à uma década que começou com o apreender a caminhar, com 4 horas diárias de fisioterapia e terminou com milhares de horas de ténis nos pés e 7 maratonas corridas.

Ao chegar ao fim deste ciclo, só posso agradecer a todos aqueles que partilharam as suas palavras no corredor de domingo e estar eternamente grato por me terem feito sentir um privilegiado ao lerem os devaneios de mais um dos muitos elementos da blogoesfera corredora.

É difícil agradecer a todos um por um, mas não posso deixar de agradecer mais detalhadamente ao:

“Primo” Vitor Veloso – Pelos muitos km´s que corremos lado a lado e pelas muitas vitórias pessoais que juntos partilhámos em momentos únicos das nossas vidas.

Ao António Almeida e família – Pelos muitos km´s de amizade que partilhámos ao longo destes últimos anos.

Ao “padrinho” Fernando Andrade –Um ícone da corrida em Portugal, o meu padrinho da maratona e o homem por detrás da melhor prova que conheço - MMSJL.

Ao Luis Parro – Pela amizade, companheirismo e sã loucura que sempre me transmitiu.

Ao amigo Mário Lima – Um grande amigo, sempre com um enorme sorriso mesmo na mais dura das provas.

Ao grande Joaquim Adelino – Um“monstro” da corrida e um extraordinário exemplo da amizade e companheirismo.

Á Ana Pereira – Pela amizade e partilha de um espirito único que levou a muitos se tornarem maratonistas na cidade do Porto tal como eu me tornei.

Ao Fábio Pio Dias – Pelas fotos que hoje guardo com grande carinho por significarem grandes momentos da corrida.

Ao Xavier e Amélia – Elementos únicos de uma grande família corredora além fronteiras donos de um sentimento excepcional de amizade corredora.

Ao Pedro Ferreira – Pelos muitos km´s que corremos lado a lado, mesmo sem chegar a Boston cada passada foi uma aventura.

Ao Luis Carapeto – Por ter acreditado que era possível ser maratonista e por me ter deixado participar nesse seu longo objectivo.

Aos meus pais – Pelo tempo“desperdiçado” a apoiarem mais uma casmurrice com muitos km´s de corrida.

À Cátia, ao Tiago e à Matilde –Desculpem não ter estado sempre presente, os km´s percorridos roubaram-nos muito tempo, mas estiveram sempre comigo em cada passada percorrida, em cada meta alcançada. Sem vocês nada tinha sido tão especial como cada regresso a casa para vos abraçar e poder partilhar cada momento de conquista. Sem vocês este meu triste momento não teria um futuro tão sorridente.

Não é um adeus, é um até já um pouco mais longo do que estaria à espera.

Um grande abraço corredor.

 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

6ºEdição - Raid Atlético Vale Barris

Teoricamente quando se recomeça a prática desportiva depois de uma lesão, recomeçamos calma e pausadamente, aumentando gradualmente a intensidade, degrau a degrau.
Este fim de semana também voltei aos trilhos. Depois dos problemas na coluna, também comecei degrau a degrau, até ouvir alguém a dizer que em Vale Barris os degraus são perto de 700, para começar, claro.
Parece loucura, mas tinha saudades dos empenos do Raid Atlético de Vale Barris e este fim de semana estava na altura de regressar aos trilhos, aos empenos, às dores musculares e à adrenalina de correr na natureza. Abracei o desafio com o primo Veloso, pois apesar de estarmos em momentos bastante diferentes no nosso conceito de forma desportiva, podíamos fazer deste Raide um bom “treino”.
Sem grandes aventuras controlamos sempre bem o ritmo, eu a reboque o primo a puxar, mas em ritmo controlado, claro. Subiamos com confiança as dificuldades de todas aquelas barreiras quase intransponíveis e descíamos agarrados à loucura e à adrenalina de velocidades quase suicidas, a saltar entre buracos, pedras, paus e cascalho. Os trilhos são isso mesmo.
Em Vale Barris, sobes caminhos íngremes de deixar os músculos arder e depois chegas, chegas lá bem ao cimo daquele cume que parecia impossível alcançar, e cais redondo, não de dores ou cansaço, mas assoberbado pela vista que não tem fim. Respiras fundo, guardas mentalmente o momento e sabes que valeu a pena. Voltas a respirar fundo e sentes o teu interior gritar por mais.
 
 
Eu e o Primo Veloso no abastecimento surpresa.
 
Arrancas!Cheio de adrenalina, os olhos raiados de loucura por correr insanamente pela colina a baixo.
Quando nada te parece surpreender, molhas os pés. Não uma, não duas, mas muitas, muitas vezes. Saltas poças de lama, atravessas ribeiros, mas nada parece ser capaz de parar aquela loucura. Até o cansaço parece mais difícil de chegar.
No fim da odisseia. Com os músculos ainda inchados e doridos, a pele rasgada e arranhada pelos ramos das árvores e dos arbustos. Sentes a água a tirar-te o pó e alma do corpo, mas o arder de cada arranhadela faz-te sentir vivo, orgulhoso, completo. ´

Hoje mesmo ligeiramente dorido, só lamento que ainda faltem 364 dias para começar tudo de novo.

Aos amigos das Lebres do Sado, obrigado por mais estes momentos inesquecíveis de puro trail.

 Classificação Geral

25º Geral - FILIPE FIDALGO - Tempo\03H:18m:15s – Clube\C. A AMIGOS DO PARQUE DA PAZ
 
 

domingo, 10 de novembro de 2013

10ºMaratona Porto


É difícil partir, mas é sempre mais difícil chegar!

Quarta vez na Maratona do Porto e a magia que eu tinha de correr no Porto continua igual. Talvez agora mais forte, menos bairrista e muito mais internacional, mas com a mesma mística, a mesma alma. A maior Maratona de Portugal, fez jus ao seu fado e a sua 10.ª Edição veio comprovar e dissipar todas as dúvidas, se é que alguma vez existiram. No Porto corre-se a melhor e maior maratona de Portugal, e como diriam outros “sábios”, provavelmente a melhor do Mundo e talvez da Europa.

Cheguei à partida com a certeza que o dia iria ser longo, muito longo. A condição física não é a melhor, mas tinha traçado o objectivo de estar no Porto e mesmo a custo, muito custo, lá estive a correr a minha 7.ª Maratona. Conheço o percurso, conheço a distância, e conheço o meu corpo, sei que o limite está próximo. Tento enganar-me a mim próprio, ignorando os sinais de um corpo com muitas mazelas mal curadas ou por curar. Talvez demasiadas. Mas a mítica distância só é mítica pelo sacrifício inerente sempre associado à palavra maratona. Ligo o mp3, nunca o tinha feito numa prova, mas hoje tudo conta para tentar enganar o que sei que vou passar. Música atrás música, km atrás de km e sem dar conta os primeiros 10K já passaram. Vou bem, sinto-me bem, dou por mim iludido em contagens de ritmos mirabolantes para chegar um pouco mais à frente. Talvez consiga, talvez o corpo hoje seja gentil. Talvez. Um grito desperta-me deste deambular no meio do pelotão. Não era para mim! Atravesso Matosinhos, e sei que falta pouco, para muitos dos que correm a meu lado começarem a subir em direcção à meta, a parte deles ficará cumprida. Chego à rotunda do Castelo do Queijo e vejo o recolher obrigatório da malta dos 16k´s. Os maratonistas seguem em frente, em busca de mais km´s. Por um segundo creio que tudo ficou silencioso, mas sou varrido pelo arranque de uma nova música, “It´s a Beautiful day”. Foi nesta altura que tive a certeza, a promessa que tinha feito a mim próprio, iria ser cumprida. It´s Beautiful day to Finish a Marathon. Do Castelo do Queijo à Foz tudo passou sem dar conta dos km´s ou mesmo do tempo. Ao passar à meia maratona, tentei sincronizar-me, 1H41m, não está mau para quem veio apenas para correr e esperar para ver. Ao chegar à Ribeira somos varridos por um banho de multidão, sinto que é por causa disto que gosto de correr no Porto, Ilustre desconhecidos, incentivam, aplaudem, erguem as mãos para mais um High Five. Ao entrar na Ponte D. Luis, não consigo resistir dou uma olhada rápida para ver o Douro deslumbrante a correr até à foz, Maravilhoso! Ao virar para Gaia, sabia que estava a entrar na pior parte, o piso em calçada tem o infeliz efeito de me agravar as dores na coluna, é nesta altura que sei que irá começar o verdadeiro desafio. Chego à Afurada e começo a fazer contas à vida, 4km´s e começaram as dores, desta vez ainda nem tinha chegado aos 30Km´s. Sei que tenho de me focar em chegar novamente à ponte D. Luis, abstrair das dores e pensar que cada passo que dou é menos um que falta para acabar. Na Subida para a ponte passa o balão das 3H30m por mim, e apesar de não ter qualquer mazela nas pernas, sinto que não posso ir em aventuras. Aumento o som da música e tento pensar em algo diferente que não seja aquela “bola de ténis” que me prende os movimentos na parte posterior da coxa direita. Ao entrar na ponte um fortíssimo, “Run Away” quase me rebenta com os tímpanos. Praguejo e quase arranco os auscultadores dos ouvidos. Esquece! Não vale a pena atira-los ao Douro, são de marca e depois tinhas de comprar outros. Saio da ponte com um sorriso nos lábios, e toda a gente que me vê deve pensar que adoro mesmo correr. Mais vale continuar a rir, correndo e rindo. Entro no túnel e recordo-me que foi ali que no ano anterior o pesadelo tinha começado. Este ano não vai ser assim, não pode ser assim.


Chego ao abastecimento dos 32Km´s e faço um check-up mental. Tirando as dores nas costas e maldita bola de ténis, Tudo Ok! Enquanto vejo e revejo o ok na minha mente quase passo pelo meu amigo Pedro Gabriel, sem dar conta. Um olhar mais atento e vejo-o em dificuldades. É difícil, ver um amigo com a camisola do nosso clube vestida a passar dificuldades num local onde eu um ano antes também tinha estado a sofrer. Paro e troco duas ou três palavras com ele. Imediatamente recusa a minha ajuda, mas sei que sozinho será difícil, muito mais difícil para ele, em tempos também já o foi para mim. Mas a decisão está tomada, vamos juntos até ao fim, que hoje ganhem os Kenianos que para o ano acabamos nós com eles. Entre o anda e corre e o corre e anda, entramos no último km a rir, coincidência ou não ambos estávamos a acabar a nossa 7.ª maratona de estrada. Ao entrar nos últimos metros, a alegria de acabar mais uma maratona, vai-se tornando num misto de tristeza. Corto a meta com 3H49 (tempo de Chip).
A 7ª!
Foi a última maratona que corri com dores, sei que muito dificilmente voltarei a correr a mítica distância, mas tinha de o fazer. Tinha do fazer por mim, pela minha família que sofreu mais uma fez com a minha ausência, mas principalmente porque tinha de dedicar minha 7.ª maratona ao meu primo Filipe Nogueiro, recentemente desaparecido, mas que me deixa eternamente grato por todos os momentos de cumplicidade e amizade. Que descanse em paz, pois foi com a sua imagem no meu pensamento que fechei este ciclo maratonista. Esta foi para ti rapaz do Clã dos Filipes!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Corrida do Tejo 2013

Por vezes a corrida não serve apenas para correr distâncias, serve também para as diminuir. A corrida une sempre dois pontos: a partida à chegada. Mas por vezes une mais do que isso, cada palavra escrita no blog é como uma nova passada, uma passada atrás de outra, uma palavra seguida de outra, a distância passa a ser relativa, a partida é aqui, mas nunca saberás onde é a meta, sabes apenas que as palavras leva-as o vento, um vento de bits e bytes até um outro blog, até outro corredor, que tal como eu escreve cada passada, cada palavra sem distância sem destino, sem meta. Apenas escreve porque as suas passadas traçaram uma nova meta carregada de palavras para contar.
Este ano não tenho estado muito inclinado para as corridas de 10K, mas na sexta-feira as palavras trouxeram passadas, caindo-me no “colo”um dorsal para a corrida do Tejo. Como bom portuga, tudo o que diga saldo, de borla ou grátis é um bom negócio, ainda para mais em altura de crise, por isso nem pensei 2 vezes e agarrei a oportunidade. Olhei o plano de treinos para a maratona de Lisboa e dizia domingo 35Km, a corrida do Tejo apenas tem 10Km, por isso ou fazia “piscinas” na marginal ou lá ia o plano por água abaixo. A decisão foi a mais lógica, vou e depois logo se vê. Em Algés vivia-se um ambiente fantástico, recheado de “copy & paste”, pois como é hábito nesta prova todos correm de camisola-dorsal igual. Parei, olhei em redor e admito que fiquei um pouco tonto, todo o meu horizonte era branco e azul. Já pronto na linha de partida olho novamente para o mar de gente branca e azul, mas mesmo ao meu lado a cara era conhecida, o Cláudio Pina e a esposa Ana estavam mesmo ali. Estar lado a lado com um amigo de infância, que não via há largos anos, numa prova em que nem estava previsto, e onde toda gente veste de igual, é mesmo um caso de sorte. A partir daqui a prova já tinha tudo para correr bem, mesmo faltando resolver a questão dos km´s em falta no plano de treinos.


 

Todo o tempo foi curto para por a conversa em dia, pois a partida estava dada e por entre os dois dedos de conversa lá fomos abalroados pela onda branca e azul. Os km´s começaram a voar uns atrás dos outros o que me deixava optimista para um bom tempo, a partir dos 8km´s decidi abrandar, já tinha arranjado a solução para os km´s em falta. Terminei com 40m04s, bastante bom, tendo em vista que a prova nem fazia parte dos meus objectivos. Depois de terminar foi virar em sentido inverso e aproveitar a marginal sem carros para testar o traçado da “nova” maratona de Lisboa. Foi espectacular ver toda aquele corrente de gente vestida de igual a encher a marginal em sentido contrário. Chegado a Algês, local da partida os 20km estavam feitos, mas sentia-me bem apesar do calor que se fazia sentir, por isso continuei a marcha até ao Cais do Sodré. Acabaram por ser 30km à beira rio, 10 a favor da corrente e 20 contra.

Depois deste treino meio louco, acabei por saber que tinha sido um domingo em cheio também para o Cláudio e para Ana, pois tinham acabado a prova de estreia da Ana nos 10Km. Sejam ambos bem vindos ao mundo louco das corridas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Da 37º Meia Maratona de S.J. das Lampas à 1ªCorrida Jumbo


Chegou Setembro! As pernas enferrujadas pelo tempo quente e pelas idas a banhos, não dão muitas hipóteses de fuga ao chiar das dobradiças, já gastas dos muitos km´s  corridos em tempos passados. Calças os ténis e sentes o corpo protestar com dores nas articulações. Já equipado sais porta fora e os primeiros degraus das escadas, são como que uma revolta da razão sobre a vontade. O corpo está relutante, mas o espirito corredor fala mais alto, e tal como da primeira vez os passos são lentos, mas a tua vontade supera-te e aquilo que começou lento, é agora mais rápido, o sangue que te corre nas veias acorda o corpo adormecido. Páras! Ofegante, sentes o corredor que há  em ti. Está vibrante e eufórico por regressar de onde nunca tinha partido. Estás de volta! As férias já foram.

Aos 15K (foto do amigo Carlos Viana) 
 
Mais uma época, mais uma vez as Lampas a abrir a temporada, se não fosse assim não tinha o mesmo sabor. A MMSJL já foi outrora  um obstáculo temido e receado por muitos, mas nos dias que correm  os receios são outros. Deixou de existir o receio de correr a prova e passou a existir o receio de a perder. As temidas rampas de outrora são hoje a simbiose perfeita da vontade e superação. Correr a MMSJL será sempre especial, pelas rampas, pelo espirito, pelas gentes, mas acima de tudo por sabermos que tudo é feito com alma e coração, para dar aos que vêem a certeza que um dia voltarão. Mas chega de falar do sucesso do Fernando Andrade e da sua magnífica equipa, pois é algo que é conhecido de todos, e não existem mais palavras e frases que transmitam maior grandeza ao que já hà muitos anos é comprovado. Pelo 4.º ano estive nas Lampas, para correr e para ver e rever amigos e companheiros de muitos km´s. Parti lado a lado com o “primo” Veloso, é normal ser assim nas Lampas, mas cedo me entusiasmei com ritmos um pouco mais loucos que o habitua. Até aos 7 km´s corri sem preocupações, mas é nesta altura que passa por mim a inquestionável e incontornável  Chantal Xhervelle, admito que fiquei surpreendido, mas rápido pensei se corri 7 km´s à frente desta “gazela”, porque não tentar ir ao lado dela pelo menos mais 7. Dito e feito, até perto dos 13 km's seria assim, mas ao reentrar em São João das Lampas, reparei que tinha perdido a “gazela”. Fiquei um pouco assustado, porque se a campeã tinha dado o estouro eu deveria estar completamente rebentado. Fiz um checklist rápido da máquina, e nada de dores nas pernas, nem cansaço, portanto senão há alarmes, pé no prego que isto só acaba no fim. Os últimos 7 km's foram curiosamente os mais rápidos. Cortei a meta com 1H31m07s. 10min!!!! Mais rápido que o meu melhor tempo na mesma prova.
Já perto da Chegada
 
Domingo de manhã e a euforia das Lampas, tinha descido para as pernas. Estava mesmo amassado. Mas como o Patrão manda, tinha de ir á 1.ª Corrida Jumbo. A história era diferente, ia acelerar no Autódromo do Estoril e o meu puto maravilha também ia correr. O meu filhote é como o pai, corredor de domingo, mas já com upgrade, fez aquilo tão depressa que ainda teve tempo para parar a meio e meter 2 dedos de conversa com as miúdas da idade dele. Ele só tem 7 anos, estou tramado!!! Depois do sobe e desce da véspera, o autódromo parecia perfeito, os carros ali fartam-se de andar e nunca vi nenhum formula 1 a abrir nas Lampas, por isso, pela lógica isto é plano e sempre abrir. Mentira! O Autódromo sobe e desce quase tanto como as Lampas e só por acaso o último km era a subir e com vento de frente. Apesar da loucura, consegui cortar a meta com 41m24s. Apesar de ser a prova da Auchan, e da minha opinião poder parecer tendenciosa, creio que foi uma prova excepcional, apesar de ser uma 1.ª edição. Percurso com duas voltas à pista, uma em cada sentido, espectacular. Dois abastecimentos em 10 km, excelente. Saco de fruta no fim, medalha, diploma digital de participação, camisola técnica, entretimento para os miúdos e um infindável número de ofertas de patrocinadores.
 
Passagem aos 5K
Quando assim é, só podemos pensar em voltar no ano seguinte.